A construção de um novo Centro de Treinamento (CT) do Santos FC em Praia Grande, anunciada em agosto de 2025 pelo empresário Neymar da Silva Santos, pai do jogador Neymar Jr., e pela diretoria do clube, tem gerado polêmica e protestos. O projeto, que visa modernizar as instalações do clube ao lado do shopping Litoral Plaza, promete três campos de futebol, um estádio para 25 mil pessoas, hotelaria, academia e um clube social, com financiamento integral de Neymar pai.
No entanto, a grandiosidade do projeto esconde um custo ambiental que tem preocupado moradores e ativistas. A construção ameaça uma área de 90 mil metros quadrados de vegetação nativa da Mata Atlântica, localizada na zona de amortecimento do Parque Estadual Xixová-Japuí, uma área de proteção ambiental de 900 hectares criada em 1993.
A preocupação com o impacto ambiental reacende debates sobre a atuação do empresário, que já enfrentou problemas semelhantes em 2023, quando foi multado em R$ 16 milhões por danos ambientais em Mangaratiba, no Rio de Janeiro.
Em 25 de outubro, moradores de Praia Grande organizaram um protesto contra o projeto, reunindo ambientalistas e defensores da Mata Atlântica. Eles argumentam que a construção repete erros do passado, como a instalação do shopping Litoral Plaza em 1998, que ocupou uma área considerada hoje ilegal.
A Lei 11.428, de 2006, proíbe o desmatamento da Mata Atlântica em propriedades privadas, exceto em casos de interesse público, categoria na qual um centro de treinamento não se enquadra, segundo especialistas.
Além da perda da vegetação, a destruição da Mata Atlântica agrava o problema das ondas de calor na Baixada Santista, onde a urbanização removeu grande parte da cobertura verde, transformando a região em um deserto urbano, com sensações térmicas que chegaram a 50 °C em 2025. A floresta remanescente desempenha um papel crucial na regulação do clima, reduzindo o calor e mantendo a umidade.
Moradores também criticam a falta de diálogo e consulta pública sobre o projeto, que foi divulgado à imprensa e a patrocinadores sem o envolvimento da comunidade. Uma petição online contra a construção já ultrapassou 3.400 assinaturas, classificando o projeto como um “gol contra a natureza” e defendendo um modelo de desenvolvimento que priorize a preservação ambiental. Um vídeo sobre o tema publicado nas redes sociais alcançou grande repercussão, com milhões de visualizações.
Os movimentos ambientais prometem continuar a luta contra o projeto. O Ministério Público de São Paulo está analisando uma representação sobre o caso, e a questão do desenvolvimento sustentável na Baixada Santista permanece em debate.
Fonte: www.juicysantos.com.br