Em um feito notável que redefine os limites da agricultura nacional, três irmãos empreendedores revolucionaram o cenário do agronegócio ao introduzir o cultivo de lúpulo em uma região onde a planta nunca havia sido explorada, a cidade de Iguape, no litoral de São Paulo. A aposta ousada, liderada por Thiago Augusto Bezerra Tavares, Anderson Bezerra e Thais Bezerra, não apenas transformou uma área inexplorada em um campo produtivo, mas também rendeu à família o prestigiado 3º lugar na Copa Brasileira de Lúpulos. O reconhecimento foi conquistado na categoria referente à melhor variedade 'Comet', uma espécie de lúpulo que se destaca por sua alta produtividade e qualidade no contexto brasileiro, firmando-se como uma "queridinha" entre os produtores.
A conquista é ainda mais significativa porque os irmãos utilizaram a primeira safra para a competição, um período geralmente menos produtivo e mais desafiador para qualquer cultura. Este projeto pioneiro demonstra a viabilidade do cultivo de lúpulo em climas tropicais, desafiando a percepção de que a planta, de origem predominantemente alemã e norte-americana, seria restrita a outras latitudes. O sucesso em Iguape abre novas perspectivas para a diversificação agrícola e a sustentabilidade no agronegócio brasileiro.
Ousadia em Terras Inovadoras: O Projeto dos Irmãos Bezerra
O sonho de viver do agronegócio impulsionou os irmãos Bezerra a buscar um nicho de mercado inovador. Após um período de pesquisa e visitas a diversos produtores de lúpulo para adquirir conhecimento aprofundado sobre o cultivo, eles decidiram investir na planta que é um ingrediente essencial na produção de cerveja. O projeto, batizado de Emera Hops, não tardou a colher seus primeiros frutos, provando que a dedicação e o planejamento são pilares fundamentais para o sucesso em empreendimentos agrícolas.
A escolha estratégica de Iguape
A seleção de Iguape como local para a plantação não foi aleatória. A região chamou a atenção dos irmãos por suas características geográficas e climáticas favoráveis, que, apesar de incomuns para o lúpulo, foram vistas como diferenciais estratégicos. A abundante quantidade de corpos d'água na área revelou-se ideal para a irrigação, enquanto a vasta mata nativa oferece proteção natural contra ventos fortes, um fator crucial para a saúde das plantas. Além disso, a proximidade com grandes centros consumidores como São Paulo e Curitiba foi determinante para a escolha, facilitando a logística de distribuição dos produtos da Emera Hops.
O sucesso com a variedade Comet
A variedade 'Comet' de lúpulo tem ganhado destaque no Brasil por sua performance superior. Thiago Tavares explica que a 'Comet' apresenta maior produtividade e qualidade, tornando-a a preferida entre os produtores e a mais concorrida nas edições da Copa Brasileira de Lúpulos. A conquista do 3º lugar com esta variedade, usando a primeira safra, é um atestado da excelência e do potencial do trabalho desenvolvido pela família em uma área onde o lúpulo nunca havia sido cultivado, validando não apenas a técnica, mas também a adaptação da planta ao microclima do Vale do Ribeira.
Desafios e Soluções no Cultivo de Lúpulo Tropical
Cultivar lúpulo em um clima tropical é um desafio complexo, dada a genética da planta, adaptada a regiões temperadas. O principal obstáculo enfrentado pelos irmãos foi adaptar essa cultura estrangeira à realidade climática singular do Vale do Ribeira. Cada dia de safra se tornou uma oportunidade de aprendizado e experimentação, visando otimizar a produtividade e a qualidade em um ambiente tão distinto. A resiliência e a capacidade de inovação foram essenciais para superar esses entraves iniciais.
Adaptação de uma cultura estrangeira
Antes de iniciar a plantação, os irmãos dedicaram um tempo considerável a conversas e consultas com diversos agrônomos. Este processo minucioso teve como objetivo analisar todos os aspectos e riscos envolvidos na adaptação do lúpulo a um clima subtropical. Avaliar a viabilidade do negócio em Iguape, uma área sem histórico de cultivo da planta, exigiu uma abordagem cautelosa e bem informada. A conclusão foi clara: para alcançar o sucesso, era preciso correr riscos calculados, embasados em conhecimento técnico e muita pesquisa. Essa fase preparatória foi crucial para estabelecer as bases de um projeto robusto.
Manejo sustentável e orgânico
A Emera Hops adota um modelo de produção focado integralmente na sustentabilidade. A fazenda tem como meta zerar o uso de agrotóxicos, priorizando adubos orgânicos como esterco de ovelha, bokashi e extrato pirolenhoso (vinagre de madeira). Este manejo não só minimiza a dependência de produtos químicos, mas também garante um crescimento saudável e sustentável das plantas. Além disso, a reutilização de restos culturais para compostagem reduz drasticamente a quantidade de resíduos gerados no sítio. A propriedade já gera sua própria energia elétrica e há planos ambiciosos para torná-la completamente autossustentável nos próximos anos. O processo de cultivo envolve amarrar fios de sisal biodegradável para guiar o crescimento da planta, uso de iluminação artificial por cerca de dois meses e adubação orgânica quatro vezes por semana, demonstrando um compromisso contínuo com práticas ambientalmente responsáveis.
Da Plantação à Cervejaria: O Modelo de Negócios da Emera Hops
A Emera Hops não se limita apenas ao cultivo. A empresa processa o lúpulo colhido e o comercializa para cervejarias artesanais, um mercado em plena expansão no Brasil. No entanto, o comércio do produto apresenta seus próprios desafios, especialmente no que tange à padronização, uma exigência fundamental para os cervejeiros que buscam consistência em suas receitas. A família Bezerra, ciente dessa demanda, já está desenvolvendo soluções inovadoras para superá-la e consolidar sua presença no mercado.
Superando a padronização do produto
Um dos maiores entraves para o lúpulo nacional é a variação entre as safras, o que dificulta a padronização e, consequentemente, a aceitação por parte das cervejarias. Para resolver essa questão, Thiago Tavares está liderando a criação da Cooperativa Brasileira de Lúpulo (CBL), com sede em Aguaí. A cooperativa permitirá que o lúpulo de diversos produtores seja misturado, alcançando um padrão de qualidade e características mais consistentes. Essa iniciativa promete facilitar a comercialização do produto, tornando-o mais atrativo e confiável para o setor cervejeiro artesanal.
Diversificação e visão de futuro
Além do cultivo e da comercialização do lúpulo, os irmãos Bezerra estão diversificando seus negócios. Eles estão colaborando com empresas de turismo para oferecer visitas guiadas tanto à plantação quanto a cervejarias parceiras, criando uma experiência completa para os entusiastas da cerveja artesanal e do agronegócio. A Cooperativa Brasileira de Lúpulo (CBL) também se posiciona como um pilar estratégico, não apenas para padronização, mas como uma entidade representativa dos produtores. Essa visão de futuro demonstra o compromisso da família com o desenvolvimento do setor e a criação de valor em múltiplas frentes.
Conclusão
A trajetória dos irmãos Thiago, Anderson e Thais Bezerra é um testemunho do potencial inovador do agronegócio brasileiro. Ao desbravar o cultivo de lúpulo em uma região inédita como Iguape e conquistar o 3º lugar na Copa Brasileira de Lúpulos com a primeira safra, eles não apenas validaram seu trabalho e visão, mas também abriram caminho para que outros produtores enxerguem novas possibilidades. O foco na sustentabilidade, a busca incessante por soluções para os desafios técnicos e comerciais, e a criação da Cooperativa Brasileira de Lúpulo demonstram um compromisso exemplar com a excelência e o desenvolvimento do setor. Este pioneirismo não só impulsiona o mercado de lúpulo nacional, mas também inspira a inovação e o empreendedorismo no campo.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Onde os irmãos Bezerra cultivam lúpulo?
Os irmãos Bezerra cultivam lúpulo na cidade de Iguape, no litoral de São Paulo, uma região onde a planta nunca havia sido cultivada anteriormente.
Qual foi o principal reconhecimento obtido pelo projeto?
O projeto conquistou o 3º lugar na Copa Brasileira de Lúpulos, na categoria referente à variedade 'Comet', com a primeira safra.
Quais são as práticas de sustentabilidade adotadas pela Emera Hops?
A Emera Hops busca zerar o uso de agrotóxicos, utiliza adubos orgânicos (esterco de ovelha, bokashi, extrato pirolenhoso), realiza compostagem de restos culturais, gera sua própria energia elétrica e planeja tornar o sítio autossustentável nos próximos anos.
Como a Emera Hops planeja resolver o desafio da padronização do lúpulo?
Para superar o desafio da padronização, os irmãos estão criando a Cooperativa Brasileira de Lúpulo (CBL), com sede em Aguaí, que permitirá a mistura de lúpulos de diversos produtores para obter um produto final padronizado e mais fácil de comercializar.
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Fonte: https://g1.globo.com