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ONU Mulheres lança dez propostas para proteção feminina no Brasil

© Fernando Frazão/Agência Brasil

A Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres divulgou um abrangente documento contendo dez propostas estratégicas, visando fortalecer a proteção e ampliar o protagonismo das mulheres no cenário nacional. Lançado em um momento crucial, próximo às eleições, o material busca engajar partidos políticos e candidatos a assumirem compromissos concretos com a pauta feminina. O objetivo central é transformar promessas em ações efetivas que impactem positivamente a vida de milhões de mulheres em todo o país. As iniciativas abordam desde a paridade de gênero em espaços de poder até a promoção da justiça climática, passando pelo combate à violência política e ao machismo estrutural. A intenção é que os futuros governantes e legisladores incorporem essas diretrizes em suas plataformas e políticas públicas, garantindo um futuro mais equitativo e seguro para todas.

O contexto das eleições e a voz feminina

A proximidade do pleito eleitoral brasileiro confere uma urgência especial ao lançamento das propostas da ONU Mulheres. Em um período onde as agendas políticas são definidas e os futuros rumos da nação são traçados, a organização busca assegurar que as questões de gênero recebam a devida atenção e comprometimento por parte dos aspirantes a cargos públicos. Historicamente, a representatividade feminina em instâncias de poder tem sido subestimada, e a violência de gênero, em suas diversas formas, permanece como um desafio persistente. Este documento serve como um guia e um chamado à ação para que os eleitos e nomeados deem prioridade à construção de uma sociedade mais justa e igualitária, onde as mulheres possam exercer plenamente seus direitos e potencial.

Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres no Brasil, enfatiza a necessidade de propostas que transcendam a retórica. Em suas palavras, é fundamental que os compromissos apresentados por candidatos e partidos sejam mensuráveis e implementáveis. Ela destaca que um compromisso genuíno deve responder a três critérios essenciais: ter uma meta definida, um orçamento alocado e um prazo estabelecido para sua execução. A ausência desses elementos, segundo a representante, impede que qualquer iniciativa ou promessa impacte verdadeiramente a vida das mulheres, transformando boas intenções em ações concretas e resultados palpáveis.

Eixos estratégicos para o avanço da equidade

Paridade em cargos de poder e validação das cotas

Um dos pilares das propostas da ONU Mulheres é a busca pela paridade em todos os níveis de poder. O documento sugere que a paridade não seja apenas um ideal, mas uma meta concreta, com o estabelecimento de prazos e metas numéricas claras para aumentar a presença de mulheres em cargos eletivos, de nomeação e nas lideranças do Poder Legislativo, além da direção dos próprios partidos políticos. Essa diversidade deve contemplar a riqueza da população feminina brasileira, incluindo mulheres indígenas, negras, quilombolas e de comunidades tradicionais. Complementarmente, o documento preconiza a efetivação das cotas eleitorais já existentes, garantindo que as vagas destinadas às mulheres sejam preenchidas e que os recursos de campanha sejam igualmente distribuídos, evitando "candidaturas-laranja" e promovendo uma participação significativa.

Efetividade da lei contra violência política

A Lei 14.192/2021, que criminaliza a violência política de gênero, é uma ferramenta essencial para a proteção das mulheres que atuam na vida pública. A ONU Mulheres propõe que essa legislação seja aplicada com rigor e eficácia, tanto no ambiente físico quanto no digital. A violência política, que se manifesta de diversas formas – desde assédio verbal e ameaças até ataques difamatórios nas redes sociais – tem sido um fator de desestímulo à participação feminina, como evidenciam denúncias de entidades que acompanham mulheres em disputas eleitorais. A plena aplicabilidade da lei é vital para criar um ambiente mais seguro e democrático para a atuação das mulheres na política, garantindo que suas vozes não sejam silenciadas por intimidação ou agressão.

Combate à violência e promoção da segurança

Prevenção e resposta à violência de gênero

A violência contra as mulheres é uma chaga social que exige uma abordagem multifacetada. As propostas da ONU Mulheres focam na prevenção e na resposta eficaz a esses crimes. Isso implica na definição de metas e orçamento específico para ações preventivas, como a educação para a igualdade de gênero, que visa desconstruir estereótipos e normas machistas desde cedo. Quando a violência ocorre, é imperativo que haja serviços especializados disponíveis em todo o país, medidas protetivas que sejam cada vez mais eficazes, e um sistema de investigação e respostas rápidas que garanta a responsabilização dos agressores e o acolhimento das vítimas. Pesquisas indicam que a violência modifica a rotina e as escolhas de uma parcela significativa das mulheres brasileiras, reforçando a urgência dessas ações.

Estratégia permanente contra o machismo

O machismo, enraizado na cultura e nas estruturas sociais, é identificado como um problema público que requer uma estratégia permanente e financiada para sua superação. A ONU Mulheres defende uma abordagem que vise mudar as normas que naturalizam a violência e limitam os direitos das mulheres. Essa estratégia deve envolver a participação ativa de homens e meninos na promoção da igualdade de gênero, bem como a responsabilização de agentes públicos e empresas que reproduzem estereótipos prejudiciais. A desconstrução do machismo é fundamental para a construção de uma sociedade onde a igualdade seja a regra e não a exceção, impactando desde as relações pessoais até o ambiente profissional e político.

Dignidade econômica e direitos sociais

Formalização e proteção das trabalhadoras do cuidado

O setor de cuidados, predominantemente ocupado por mulheres, é frequentemente caracterizado pela informalidade e pela precarização das condições de trabalho. A ONU Mulheres propõe a garantia de formação profissional adequada, contrato formal de trabalho, salário digno e proteção social para essas trabalhadoras. Reconhecer e valorizar o trabalho de cuidado é fundamental para a justiça social e econômica, pois ele sustenta não apenas as famílias, mas toda a sociedade. A formalização e a dignificação dessa profissão contribuem diretamente para a autonomia econômica das mulheres e para a redução das desigualdades de gênero no mercado de trabalho.

Equidade salarial e proteção social

A disparidade salarial entre homens e mulheres ainda é uma realidade persistente em muitas áreas, mesmo para funções equivalentes. O documento da ONU Mulheres clama por políticas que garantam às mulheres salário igual por trabalho de igual valor, além de acesso a empregos formais e proteção social abrangente. A insegurança e a falta de transporte adequado, por exemplo, são fatores que levam uma porcentagem significativa de mulheres a desistir de empregos, impactando sua autonomia financeira. Promover a equidade salarial e assegurar direitos trabalhistas plenos são passos cruciais para a independência econômica feminina e para a eliminação de barreiras que limitam o acesso das mulheres a oportunidades de desenvolvimento e bem-estar.

Justiça climática e participação ambiental

Financiamento climático acessível e participação paritária

A justiça climática é um tema de crescente importância, e as propostas da ONU Mulheres destacam a necessidade de direcionar o financiamento climático para aqueles que efetivamente protegem o território, incluindo comunidades tradicionais e povos originários, onde as mulheres desempenham um papel vital. Além disso, a participação paritária e efetiva de mulheres – especialmente indígenas, negras, quilombolas e de povos e comunidades tradicionais – em órgãos de governança climática e na formulação e implementação de políticas ambientais é crucial. Suas perspectivas e conhecimentos ancestrais são indispensáveis para o desenvolvimento de soluções climáticas verdadeiramente eficazes e equitativas, que considerem as realidades e vulnerabilidades específicas de cada grupo.

Gênero e raça como critério climático

Para garantir que as políticas climáticas sejam justas e inclusivas, a ONU Mulheres propõe que gênero e raça sejam critérios obrigatórios em sua formulação. Isso significa questionar a quem cada política climática alcança e quem ela deixa de fora, assegurando que as ações não agravem desigualdades existentes. As mulheres, em particular as de comunidades vulneráveis, são frequentemente as mais afetadas pelas mudanças climáticas, mas suas vozes e experiências são sub-representadas nas discussões e decisões. Integrar as perspectivas de gênero e raça é fundamental para desenvolver estratégias de mitigação e adaptação que sejam eficazes e que promovam a equidade e a resiliência das comunidades mais impactadas.

Perguntas frequentes

<b>1. Qual o principal objetivo do documento da ONU Mulheres?</b><br>O principal objetivo é incentivar partidos políticos e candidatos a se comprometerem com propostas concretas que visam a proteção e o maior protagonismo das mulheres no Brasil, garantindo que suas necessidades e direitos sejam priorizados em futuras políticas públicas.

<b>2. Quais são os critérios essenciais para um compromisso político efetivo, segundo a ONU Mulheres?</b><br>Segundo a representante Gallianne Palayret, um compromisso efetivo precisa ter três critérios: uma meta definida, um orçamento alocado para sua execução e um prazo estabelecido para sua implementação. Sem esses elementos, as promessas não se traduzem em mudanças reais na vida das mulheres.

<b>3. Como as propostas abordam a questão da violência contra a mulher?</b><br>As propostas abordam a violência de forma abrangente, focando tanto na prevenção (com educação para a igualdade) quanto na resposta (serviços especializados, medidas protetivas eficazes e investigação rápida). Além disso, propõem uma estratégia permanente e financiada para combater o machismo como problema público e garantir a efetividade da lei contra a violência política de gênero.

<b>4. Quais são os principais pilares de atuação da ONU Mulheres neste contexto?</b><br>Os principais pilares incluem: garantir a paridade em espaços de poder, combater todas as formas de violência e machismo, promover a dignidade econômica e os direitos sociais das mulheres (como salário igual e proteção social para trabalhadoras do cuidado), e assegurar a justiça climática com participação feminina e critérios de gênero e raça.

Para aprofundar seu entendimento sobre as propostas e contribuir para um futuro mais equitativo, <b>explore o documento completo da ONU Mulheres</b> e engaje-se na discussão pública.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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