Pequenas plantas verdes despontam na areia das praias santistas, principalmente nos canais 1 e 2. Longe de ser um sinal de abandono, essa vegetação é motivo de celebração: o jundu, vegetação nativa, está retornando espontaneamente e promovendo a saúde do litoral.
Com origem no termo indígena “nhun’du”, que significa “vegetação próxima à orla”, o jundu era comum nas praias de Santos até a década de 1970. Seu reaparecimento é uma excelente notícia para o meio ambiente local.
A principal função do jundu é proteger as praias da erosão. Atuando como uma barreira natural, ele retém os grãos de areia, prevenindo que sejam levados pelo mar e pelas ressacas. O engenheiro ambiental e professor Antonio Mazza explica que a vegetação impõe maior resistência à força das ressacas, permitindo a formação de pequenas dunas. As plantas, que podem ser rasteiras ou formar moitas de até 1,5 metro de altura, oferecem uma proteção natural contra o avanço do mar.
O reaparecimento do jundu indica uma melhora na qualidade da água e dos sedimentos. Segundo o biólogo Sidney Fernandes, da Unifesp e participante do Projeto Jundu municipal, a presença e a persistência das plantas, mesmo após ressacas, demonstram uma melhoria ambiental na região.
O retorno do jundu também atraiu de volta visitantes especiais: aves que não eram vistas há tempos na região, como a coruja buraqueira, retornaram para se alimentar na área.
Visando incentivar o crescimento do jundu, a Prefeitura de Santos, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Bem-Estar Animal (Semam), lançou o Projeto Jundu em agosto de 2022, com a implementação inicial da vegetação ao lado do Novo Quebra-Mar, no José Menino. Márcio Paulo, da Semam, explica que o objetivo é conscientizar a população sobre a importância dessa vegetação nativa para a preservação da faixa de areia. Técnicos da secretaria e especialistas das universidades locais monitoram o desenvolvimento do jundu, confirmando sua resistência e crescimento contínuo, mesmo em episódios de maré alta.
A meta agora é expandir o jundu ao longo da orla, prevenindo a erosão, como a que ocorre na Ponta da Praia. Por ser uma Área de Preservação Permanente (APP), a retirada do jundu é considerada crime ambiental. Além de servir como abrigo e alimento para diversas espécies, essa vegetação é fundamental para a preservação da faixa de areia.
Fonte: www.juicysantos.com.br