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MP pede condenação de vereadora de Praia Grande por suposta assessora fantasma

G1

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) protocolou um pedido formal de condenação por improbidade administrativa contra a vereadora Janaína Ballaris (União), representando um marco significativo na fiscalização da conduta de agentes públicos na cidade de Praia Grande, no litoral paulista. A parlamentar é acusada de negligência e favorecimento ao enriquecimento ilícito de uma assessora parlamentar em seu gabinete por um período de aproximadamente seis meses. As alegações do MP-SP detalham que, durante esse tempo, a assessora, que recebia um salário bruto de R$ 20 mil mensais, não teria cumprido integralmente suas funções públicas, dedicando-se a atividades particulares. Este caso acende um alerta sobre a necessidade de transparência e rigor na gestão dos recursos públicos e na supervisão de equipes em gabinetes legislativos, impactando diretamente a confiança da população nas instituições. As sanções pleiteadas pelo órgão são severas e podem ter consequências profundas na carreira política da vereadora, incluindo a perda do mandato e a ineligibilidade por um período considerável, além de multas substanciais.

As Acusações do Ministério Público

O caso da assessora parlamentar

A denúncia do MP-SP gira em torno da conduta de uma assessora parlamentar contratada em janeiro de 2023 para atuar no gabinete da vereadora Janaína Ballaris. De acordo com a investigação, a profissional, que também é advogada, teria se ausentado de suas obrigações funcionais em diversos momentos durante o expediente na Câmara Municipal. O Ministério Público alega que, nesse período, a assessora prestou serviços de advocacia particular em seu próprio escritório, realizou viagens pessoais, frequentou academia, fez compras e gravou vídeos, tudo enquanto deveria estar a serviço da vereadora e do público. A assessora pediu exoneração do cargo em julho de 2023, após tomar conhecimento da abertura de um inquérito civil para apurar as irregularidades. O MP-SP sustenta que a vereadora Janaína Ballaris teria agido com omissão na fiscalização das atividades de sua subordinada, permitindo, facilitando ou concorrendo para que a assessora se enriquecesse ilicitamente às custas do erário público. A acusação formal enfatiza que a parlamentar tinha conhecimento das condutas indevidas, mas, ainda assim, manteve a profissional em seu quadro, configurando, na visão do órgão, um ato de improbidade administrativa.

Pedidos e sanções propostas

Diante das provas coletadas e da análise das condutas imputadas à vereadora, o Ministério Público de São Paulo solicitou à Justiça a aplicação de uma série de sanções. Entre as principais punições pleiteadas estão a perda da função pública de Janaína Ballaris, o que resultaria na imediata cassação de seu mandato como vereadora. Adicionalmente, o MP-SP requer a suspensão de seus direitos políticos por um período de até 12 anos, o que a tornaria inelegível para qualquer cargo eletivo. A ação também contempla a imposição de uma multa civil no valor de R$ 35,4 mil, correspondente ao montante que se alega ter sido desviado ou utilizado indevidamente. Por fim, o órgão solicita a proibição de a vereadora contratar com o poder público ou receber quaisquer benefícios ou incentivos fiscais, direta ou indiretamente, também por um prazo de até 12 anos. Além disso, o MP-SP pediu que a Justiça condene tanto Janaína Ballaris quanto a ex-assessora, de forma solidária, a ressarcir os cofres públicos em R$ 35,4 mil. A condenação solidária significa que qualquer uma das partes pode ser cobrada pelo valor total, cabendo a quem pagar buscar a parte devida da outra posteriormente.

A Defesa da Vereadora Janaína Ballaris

Argumentos contra a improbidade

Em resposta às acusações do Ministério Público, a defesa da vereadora Janaína Ballaris negou veementemente a existência de improbidade administrativa. Os advogados da parlamentar apresentaram sua versão dos fatos em abril, alegando que a assessora, apesar de não estar fisicamente no gabinete em tempo integral, realizava os serviços pertinentes às suas funções em um escritório particular. Este escritório, segundo a defesa, localiza-se a aproximadamente um minuto da Câmara Municipal, o que permitiria a execução de tarefas remotamente e com agilidade. A defesa sustenta que as atividades desempenhadas fora da Câmara eram devidamente documentadas e que, em muitos casos, envolviam o atendimento a vítimas de violência doméstica. Para a vereadora, a natureza sensível e confidencial desses atendimentos justificava a necessidade de um ambiente externo ao gabinete, onde a privacidade das vítimas pudesse ser melhor resguardada, algo que seria inviável dentro das dependências da Câmara Municipal devido à falta de espaços adequados para conversas sigilosas. A estratégia da defesa visa demonstrar que a assessora estava, de fato, cumprindo suas obrigações, mas de uma forma adaptada às demandas específicas e à necessidade de sigilo.

Alegação de perseguição política

Adicionalmente aos argumentos sobre a legalidade das atividades da assessora, a defesa de Janaína Ballaris levantou a tese de que a denúncia do Ministério Público seria motivada por perseguição política. Segundo os advogados da vereadora, a ação seria parte de uma estratégia de um grupo de oposição para descredibilizar a parlamentar, especialmente considerando sua atuação e visibilidade na cidade de Praia Grande. A defesa ressaltou que a fiscalização e o controle de ponto dos servidores são atribuições da chefia de gabinete, e não da vereadora diretamente. Ao transferir essa responsabilidade, a defesa tenta desvincular Ballaris de qualquer intenção de beneficiar a assessora ou de ser omissa em suas obrigações. Alegam que não houve dolo, ou seja, intenção deliberada de cometer o ato de improbidade. Baseados nessas argumentações, os defensores de Janaína Ballaris solicitaram à Justiça a extinção da ação por, supostamente, haver ausência de provas concretas que justifiquem a condenação por improbidade administrativa, reforçando que a acusação não tem fundamento legal sólido para prosseguir.

Implicações e Desdobramentos Legais

O pedido de condenação do Ministério Público contra a vereadora Janaína Ballaris carrega implicações significativas, não apenas para sua carreira política, mas também para a percepção pública sobre a transparência e a ética na gestão pública. Atualmente, Ballaris é candidata à prefeitura de Praia Grande, e o andamento deste processo judicial pode ter um impacto direto em sua imagem e nas chances de sua campanha. O caso, portanto, transcende a esfera individual, tornando-se um símbolo da luta contra a corrupção e a má aplicação de recursos públicos em âmbito municipal. O sistema judicial agora terá a tarefa de analisar minuciosamente todas as provas apresentadas pelo MP-SP e os argumentos da defesa, em um processo que pode se estender por um período considerável. A decisão final, seja ela pela condenação ou absolvição, estabelecerá um importante precedente sobre a fiscalização de assessores parlamentares e a responsabilidade de vereadores em garantir a integridade de seus gabinetes. A transparência e a accountability dos agentes públicos continuam a ser pautas centrais no debate democrático, e casos como este reforçam a importância de mecanismos de controle e da atuação vigilante dos órgãos fiscalizadores.

Conclusão

Em síntese, o embate jurídico entre o Ministério Público de São Paulo e a vereadora Janaína Ballaris de Praia Grande ilustra a complexidade e a seriedade das acusações de improbidade administrativa no cenário político brasileiro. As graves solicitações de condenação, que incluem a perda do mandato e a ineligibilidade, confrontam-se com uma defesa que alega perseguição política e justifica as ações da assessora. O desfecho deste processo será crucial para a vereadora, para o município de Praia Grande e para a confiança pública nas instituições, reforçando a necessidade de uma fiscalização rigorosa e de um compromisso inabalável com a ética e a legalidade na administração pública. A Justiça, por fim, terá a palavra final sobre a validade das acusações e a aplicação das devidas sanções.

FAQ

<b>1. Quem é a vereadora Janaína Ballaris e qual a acusação contra ela?</b><br>Janaína Ballaris é uma vereadora de Praia Grande (SP) filiada ao União Brasil (anteriormente PL). Ela é acusada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) de improbidade administrativa por supostamente manter uma 'assessora fantasma' em seu gabinete, favorecendo o enriquecimento ilícito da profissional.

<b>2. Quais são as principais alegações do Ministério Público neste caso?</b><br>O MP-SP alega que a assessora, com salário de R$ 20 mil brutos, realizava atividades particulares (advocacia privada, viagens, academia, compras) durante o horário de expediente. O órgão acusa a vereadora de omissão na fiscalização e de permitir o enriquecimento indevido da assessora.

<b>3. Que sanções o MP-SP pede para a vereadora?</b><br>O Ministério Público solicita a perda do mandato de Ballaris, suspensão de seus direitos políticos por até 12 anos, multa de R$ 35,4 mil e proibição de contratar com o poder público por até 12 anos. Além disso, pede que ela e a assessora ressarçam solidariamente os cofres públicos em R$ 35,4 mil.

<b>4. Como a defesa da vereadora se posiciona diante das acusações?</b><br>A defesa de Janaína Ballaris nega a improbidade administrativa, afirmando que a assessora trabalhava de seu escritório particular, próximo à Câmara, e que muitas atividades envolviam atendimento sigiloso a vítimas de violência doméstica. Alega também que o controle de ponto é responsabilidade da chefia de gabinete e que a denúncia seria motivada por perseguição política da oposição.

Mantenha-se informado sobre este e outros temas relevantes acompanhando as atualizações sobre a fiscalização de agentes públicos e a gestão municipal em Praia Grande.

Fonte: https://g1.globo.com

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