A população de Itanhaém e de cidades vizinhas na Baixada Santista, que por décadas enfrentou a escassez de água, celebra uma nova era de abastecimento. A inauguração de dois novos reservatórios de água tratada no Centro de Reservação de Mambu-Branco, em Itanhaém, representa o fim de um problema histórico que afetava a rotina de milhões de pessoas. Com esta ampliação, a angústia de ter que racionar água, buscar fontes alternativas ou depender de horários específicos para atividades básicas como tomar banho e cozinhar, torna-se uma memória do passado. O projeto, fruto de um robusto investimento, não só estabiliza o fornecimento na região, mas também simboliza um avanço significativo na infraestrutura de saneamento do litoral paulista, impactando positivamente a qualidade de vida e a saúde pública dos moradores.
Fim de uma espera histórica
Por muitos anos, a falta de água foi uma realidade constante e desgastante para os habitantes de Itanhaém e municípios próximos. A rotina era marcada pela incerteza do abastecimento, obrigando as famílias a recorrer a métodos improvisados para garantir a água para suas necessidades diárias. Era comum ver moradores enchendo tambores e buscando água em fontes externas, uma prática que se intensificava drasticamente durante a alta temporada, quando a demanda aumentava exponencialmente devido ao fluxo turístico. Essa situação gerava um estresse contínuo e comprometia a higiene e o bem-estar da comunidade.
A realidade antes dos novos reservatórios
A autônoma Alzira Paulo Almeida, moradora da região, relembra a dificuldade vivida. “A gente sofria bastante, tinha que tomar banho depois das 22h, meia-noite, que era quando a água tinha força para encher as caixas d’água. Era péssimo”, descreve. Seu relato reflete a experiência de inúmeros vizinhos, que precisavam adaptar seus horários e hábitos a um fornecimento de água precário, impactando desde as tarefas domésticas mais simples até o descanso familiar, numa verdadeira luta diária contra a falta de um recurso essencial.
O alívio com o novo sistema
Com a conclusão dos novos reservatórios de Mambu-Branco, a situação se inverteu drasticamente. Alzira Paulo Almeida agora celebra o fim da agonia: “Agora tem água até demais, dá para tomar banho, lavar roupa a qualquer hora do dia, acabou a agonia”. Essa sensação de alívio é compartilhada por Maria do Carmo Santos, residente de Mongaguá, que também vivenciou a dificuldade. “Antigamente, a gente tinha que buscar água de carro no Poço das Antas, guardava em tambor. Agora está muito melhor, tem os novos reservatórios e bastante água”, comenta, evidenciando a transformação positiva na vida dos cidadãos.
Investimento e abrangência do projeto
Os novos reservatórios de Mambu-Branco são um marco da primeira etapa de um projeto de grande envergadura, que recebeu um investimento de R$ 84,6 milhões. As duas novas estruturas têm, juntas, a capacidade de armazenar 20 milhões de litros de água tratada. A fase final das obras prevê uma ampliação que elevará a capacidade total para 40 milhões de litros, um volume essencial para atender à crescente demanda da região.
Impacto regional e cidades beneficiadas
A importância deste projeto vai muito além das fronteiras de Itanhaém. A capacidade ampliada de armazenamento e distribuição de água tratada beneficiará diretamente cerca de 1,2 milhão de moradores distribuídos por cinco cidades estratégicas do Litoral Sul de São Paulo. Além de Itanhaém, Praia Grande, São Vicente, Peruíbe e Mongaguá terão seu abastecimento significativamente melhorado, garantindo maior segurança hídrica e promovendo o desenvolvimento sustentável da Baixada Santista.
O contexto da desestatização da Sabesp
A concretização das obras em Mambu-Branco está inserida no maior ciclo de investimentos em saneamento básico da história da Baixada Santista, impulsionado pela desestatização da Sabesp, realizada pelo Governo de São Paulo em 2024. A região já recebeu um aporte de R$ 2,4 bilhões entre julho de 2024 e 2025, com a previsão de mais de R$ 8 bilhões em investimentos nos próximos quatro anos. Esses recursos são destinados à ampliação e modernização dos sistemas de abastecimento de água e esgoto em todo o litoral paulista, visando universalizar os serviços e garantir sua eficiência a longo prazo.
Marco histórico em saneamento na região
Os reservatórios de Itanhaém são parte de um conjunto de oito centros de reservação de água tratada já entregues à população. Juntos, esses centros – que incluem o Mogiano e Caruara em Bertioga, Morrinhos no Guarujá, Prados Baixos em Peruíbe, Rio Branco em São Vicente, além do Centro e Mambu-Branco em Itanhaém – somam uma capacidade de armazenamento superior a 60 milhões de litros de água. Essa rede de infraestrutura robusta reflete um compromisso contínuo com a melhoria da distribuição hídrica em toda a Baixada Santista.
O programa "Na Rota da Água" e a expansão nacional
O Governo de São Paulo acompanha o avanço das obras de saneamento básico por meio do programa “Na Rota da Água”, uma iniciativa que monitora 1.100 frentes de trabalho em andamento nas cidades contempladas pelos contratos da Sabesp. Embora os destaques mais recentes estejam no litoral, o programa abrange diversas regiões do estado, com entregas importantes já realizadas em municípios como Itapecerica da Serra, Embu das Artes e Embu-Guaçu. Foram concluídas também duas novas Estações de Tratamento de Esgoto em Caieiras e Franco da Rocha, além de um Sistema de Expansão de Esgotamento Sanitário que beneficia ainda Francisco Morato, na Grande São Paulo, demonstrando a abrangência dos investimentos em infraestrutura.
Conclusão
A ampliação do Centro de Reservação de Mambu-Branco em Itanhaém representa um divisor de águas para a Baixada Santista. O fim de décadas de escassez e a garantia de água tratada nas torneiras marcam uma vitória significativa para a população local e para o desenvolvimento regional. Este projeto, somado aos demais investimentos em saneamento básico, evidencia um novo patamar de infraestrutura e gestão hídrica, prometendo mais qualidade de vida, saúde pública e segurança para milhões de cidadãos. O futuro do abastecimento na região se mostra mais promissor e estável, consolidando um legado duradouro de progresso.
Perguntas Frequentes (FAQ)
<b>Q: Qual era o principal problema enfrentado pelos moradores da Baixada Santista antes dos novos reservatórios de Mambu-Branco?</b><br><b>A:</b> Os moradores sofriam com a constante falta de água nas torneiras, especialmente na alta temporada. Eram forçados a buscar água em fontes alternativas, armazená-la em tambores para as necessidades diárias e, muitas vezes, tomar banho apenas em horários de madrugada, quando a pressão da água era suficiente para encher as caixas d'água.
<b>Q: Qual a capacidade dos novos reservatórios inaugurados em Mambu-Branco e quantas pessoas são beneficiadas?</b><br><b>A:</b> Os dois novos reservatórios em Mambu-Branco têm uma capacidade inicial de armazenamento de 20 milhões de litros de água tratada. Após a ampliação final, a capacidade total será de 40 milhões de litros, beneficiando aproximadamente 1,2 milhão de moradores de cinco cidades do Litoral Sul: Itanhaém, Praia Grande, São Vicente, Peruíbe e Mongaguá.
<b>Q: Como a desestatização da Sabesp se relaciona com os investimentos em saneamento na Baixada Santista?</b><br><b>A:</b> A desestatização da Sabesp, ocorrida em 2024, impulsionou o maior ciclo de investimentos em saneamento da Baixada Santista. A região já recebeu R$ 2,4 bilhões entre julho de 2024 e 2025, com previsão de mais R$ 8 bilhões nos próximos quatro anos, visando ampliar e modernizar os sistemas de abastecimento de água e esgoto, como o projeto de Mambu-Branco.
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