A Fundação Arquivo e Memória de Santos (Fams) atinge um marco significativo nesta segunda-feira (15), completando 30 anos de dedicação ininterrupta à salvaguarda e à disseminação do vasto patrimônio histórico da cidade. Desde sua criação em 1995, a Fams consolidou-se como uma instituição vital, não apenas responsável pela gestão dos arquivos públicos municipais, mas também como um elo fundamental entre os cidadãos e a rica trajetória de Santos. Seu trabalho incansável reflete o compromisso com a preservação do passado, tornando-o acessível a pesquisadores, estudantes e ao público em geral, por meio de um acervo documental e imagético impressionante. A entidade utiliza tecnologia de ponta para modernizar e democratizar o acesso à história de Santos.
Três décadas de dedicação à memória santista
A Fams como guardiã do patrimônio documental
Desde sua fundação, a Fams emergiu como a principal guardiã do patrimônio documental de Santos, assumindo a complexa, mas crucial, tarefa de coletar, organizar, preservar e disponibilizar uma vasta gama de registros históricos. O acervo da instituição é uma verdadeira mina de informações, somando aproximadamente cinco milhões de documentos manuscritos e textuais que datam da época do Império até os dias atuais. Este material inestimável inclui desde correspondências oficiais e relatórios administrativos da Prefeitura de Santos, até registros legislativos, processos judiciais e documentos particulares que detalham a vida social, econômica e política da cidade ao longo dos séculos. A riqueza desses arquivos oferece uma base sólida para a compreensão das transformações urbanas, sociais e culturais que moldaram Santos.
Além dos documentos textuais, a Fams abriga um impressionante volume de aproximadamente um milhão de imagens, que englobam fotografias e negativos. Essa coleção iconográfica é fundamental para visualizar o passado da cidade, retratando o desenvolvimento de sua infraestrutura, a evolução da paisagem urbana, os costumes de diferentes épocas, grandes eventos históricos e o cotidiano dos moradores. As imagens capturam a alma de Santos, desde a construção do Porto, o surgimento de bairros, até manifestações culturais e momentos de lazer, permitindo uma imersão visual na história local.
O acervo é complementado por cerca de oito mil plantas e mapas, peças essenciais para estudos de urbanismo, geografia e história da arquitetura. Esses documentos cartográficos mostram a expansão da cidade, a demarcação de propriedades, projetos de engenharia e as mudanças na topografia e no planejamento urbano. Juntos, esses materiais estão distribuídos em três arquivos estrategicamente localizados no Centro Histórico de Santos, facilitando o acesso e a pesquisa em um ambiente que respira história.
Inovação e tecnologia a serviço da história
O Memorial José Bonifácio e a inteligência artificial
A Fams tem demonstrado um forte compromisso com a modernização, integrando tecnologia de ponta para tornar a história mais acessível e envolvente. Um dos projetos mais emblemáticos dessa iniciativa é o Memorial José Bonifácio, inaugurado este ano na Casa das Culturas de Santos, localizada na Vila Nova. Este espaço representa um salto qualitativo na forma como a história é apresentada, utilizando tecnologia e inteligência artificial para aproximar o visitante da trajetória de José Bonifácio de Andrada e Silva, o “Patrono da Independência” e um dos mais ilustres santistas.
No memorial, a inteligência artificial não é apenas um recurso técnico, mas uma ferramenta narrativa que permite experiências interativas, como a projeção de hologramas ou guias virtuais que respondem a perguntas, contextualizam eventos e oferecem perspectivas aprofundadas sobre a vida e o legado de Bonifácio. Essa abordagem inovadora transforma a visita em uma jornada imersiva, superando as barreiras de uma exposição tradicional e proporcionando uma compreensão mais dinâmica e pessoal da história.
Ampliando o acesso e a educação digital
Além do memorial, a Fams tem investido significativamente na ampliação de conteúdos educativos em suas redes sociais. Essa estratégia digital visa democratizar ainda mais o acesso à história de Santos, alcançando um público mais amplo, incluindo jovens e pessoas que talvez não tivessem a oportunidade de visitar os arquivos fisicamente. As plataformas digitais se tornaram vitrines para curiosidades históricas, fotos raras, trechos de documentos importantes e vídeos informativos que exploram diferentes aspectos da memória santista, desde a fundação da cidade até eventos mais recentes.
Os resultados dessa aposta na digitalização e no engajamento são tangíveis. A instituição registrou um aumento de 40% nas visitas ao Outeiro de Santa Catarina, um marco inicial do povoamento de Santos e que hoje serve como sede administrativa da Fams. Esse crescimento nas visitas presenciais ao Outeiro, um local de profunda relevância histórica, reflete o sucesso das iniciativas da fundação em despertar o interesse do público pela história local, incentivando a exploração tanto física quanto digital.
A trajetória da Fams: do Centro de Memória à Fundação
Da concepção à autonomia institucional
A história da Fundação Arquivo e Memória de Santos é um exemplo de evolução institucional e de reconhecimento da importância da memória para a identidade de uma cidade. Embora a Fams tenha sido formalmente criada em 15 de dezembro de 1995, por meio da Lei Complementar Municipal 196, sua gênese remonta a 1992, com a instituição do Centro de Memória de Santos. O Centro de Memória foi a semente de onde brotaria a atual fundação, com a missão inicial de organizar e preservar os registros históricos da cidade.
A transição de Centro de Memória para Fundação ocorreu devido às experiências bem-sucedidas no desenvolvimento de metodologias inovadoras para a organização e gestão de arquivos. A Prefeitura Municipal de Santos, reconhecendo a expertise e a relevância do trabalho realizado, decidiu conferir ao então Centro de Memória uma maior autonomia administrativa. Essa autonomia era crucial para que a instituição pudesse expandir suas ações, formular uma política abrangente referente à memória não-edificada e aos arquivos do Município, e, principalmente, orientar, incentivar e patrocinar atividades que promovessem um maior acesso da população santista às informações e à história da Cidade.
Visão de futuro: tecnologia e conexão com o cidadão
O legado e os próximos passos, segundo Leonardo Barbosa Delfino
Para o presidente da Fams, Leonardo Barbosa Delfino, este trigésimo aniversário não é apenas um momento de celebração, mas também de profundo reconhecimento. Ele destaca a importância de honrar o trabalho e as pessoas que, ao longo de três décadas, dedicaram-se incansavelmente a “manter o passado vivo” e a construir um futuro mais consciente da sua herança. A visão de Delfino para os próximos anos é clara e estratégica, focada na continuidade da inovação e na ampliação da conexão com a comunidade.
“Daqui para frente, vamos avançar usando a tecnologia para conectar o cidadão com a sua história, valorizar e preservar o patrimônio”, afirma Delfino. Essa declaração sublinha o compromisso da Fams em não apenas digitalizar e modernizar seus processos, mas em utilizar essas ferramentas para criar pontes significativas entre o vasto acervo histórico e a vida cotidiana dos santistas. A Fams planeja explorar ainda mais as possibilidades da inteligência artificial, da realidade virtual e das plataformas digitais para criar novas formas de engajamento, como arquivos digitais interativos, roteiros históricos virtuais e programas educativos personalizados. O objetivo final é garantir que a história de Santos não seja apenas um registro do passado, mas uma força viva que inspira e informa as futuras gerações, fortalecendo a identidade e o senso de pertencimento de cada cidadão.
Perguntas frequentes sobre a Fams
Qual a principal missão da Fundação Arquivo e Memória de Santos?
A principal missão da Fams é preservar e divulgar a história de Santos, gerenciando os arquivos públicos municipais e conectando o cidadão à sua própria história e à da cidade por meio de visitas, roteiros, exposições e publicações.
Como a tecnologia tem sido utilizada pela Fams para divulgar a história de Santos?
A Fams utiliza tecnologia de ponta, incluindo inteligência artificial, em projetos como o Memorial José Bonifácio para criar experiências imersivas. Além disso, ampliou a produção de conteúdos educativos nas redes sociais e tem investido na digitalização de seu acervo para facilitar o acesso.
Qual a importância do acervo da Fams para a cidade e pesquisadores?
O acervo da Fams, que inclui milhões de documentos manuscritos, textuais, imagens, plantas e mapas, é vital para pesquisas acadêmicas, estudos sobre o desenvolvimento urbano, social e cultural de Santos, e para a preservação da memória coletiva da cidade.
Onde está localizada a sede administrativa da Fams?
A sede administrativa da Fams está localizada no Outeiro de Santa Catarina, um local de grande importância histórica por ser o marco inicial do povoamento de Santos.
Para explorar mais a fundo a história de Santos e conhecer o trabalho da Fundação Arquivo e Memória, visite o Outeiro de Santa Catarina ou acesse os canais digitais da Fams.
Fonte: https://www.santos.sp.gov.br