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Estudantes presos por tortura de calouros em Etec no litoral de São Paulo

G1

A Polícia Militar, em uma operação que reverberou pela comunidade educacional, efetuou a prisão de três estudantes acusados de perpetrar atos de tortura contra calouros em um alojamento da Escola Técnica Estadual (Etec) de Iguape, localizada no litoral paulista. A ação policial, desencadeada por mandados judiciais, culminou na detenção de um jovem de 18 anos e na apreensão de dois adolescentes, de 15 e 16 anos. Este grave episódio de tortura de calouros, que expôs um cenário de violência e humilhação dentro de uma instituição de ensino, trouxe à tona discussões cruciais sobre a segurança e a fiscalização em ambientes estudantis. As investigações aprofundadas revelaram um padrão de agressões e constrangimento ilegal, levando as autoridades a agir com rigor para garantir a justiça e a proteção dos estudantes.

A Descoberta das Agressões e o Avanço da Investigação

O Início do Caso: Denúncia e Primeiras Ações

O caso veio à luz em uma quarta-feira, dias antes das prisões, e inicialmente foi categorizado como lesão corporal e vias de fato. Contudo, o aprofundamento das investigações por parte da Polícia Civil revelou a natureza mais severa dos crimes, que foram reclassificados para tortura, constrangimento ilegal e lesão corporal. O Conselho Tutelar foi prontamente acionado, e a direção da Etec de Iguape, ciente da gravidade dos acontecimentos, declarou ter adotado providências internas. A descoberta se deu quando a família de uma das vítimas notou um ferimento suspeito, causado por um alicate, no peito do adolescente ao retornar para casa. Ao procurar esclarecimentos no alojamento, um parente encontrou pelos pubianos espalhados em uma cama, indicando uma forma de punição, e tomou conhecimento da existência de outros menores submetidos a condições semelhantes.

Os Rituais de 'Trote' e as Provas Coletadas

Familiares das vítimas relataram que as agressões ocorriam sob o pretexto de um suposto “juramento de trote”, estabelecido entre veteranos e calouros no início do ano letivo, em fevereiro. Conforme os relatos, as vítimas eram sistematicamente orientadas a não denunciar as agressões, muitas delas registradas em vídeo. Os atos de violência incluíam o uso de alicates, cintos, pedaços de cano, além de tapas e diversas formas de humilhação. Os estudantes investigados cursavam o segundo e o terceiro anos do ensino médio na instituição. A extensão dos abusos, que incluíam agressões físicas e atos de humilhação, ocorria predominantemente à noite, durante a semana, afetando até mesmo o descanso das vítimas. Documentos apreendidos indicam que as agressões cessariam após o “Dia da Libertação”, marcado para 18 de março.

A Prisão dos Acusados e as Consequências Imediatas

A Ordem Judicial e a Captura dos Estudantes

Diante do volume de provas reunidas no inquérito, a Polícia Civil solicitou mandados de prisão e de busca e apreensão contra o trio acusado. O pedido foi acatado pela Justiça, resultando na operação policial realizada no sábado. As equipes do 14º Batalhão de Polícia Militar do Interior cumpriram os mandados judiciais, detendo o jovem de 18 anos, identificado como Kaue Vinicius Souza, e encaminhando os dois adolescentes de 15 e 16 anos para a Fundação Casa de Peruíbe, no litoral paulista. Este desdobramento marcou um ponto crucial na resposta das autoridades aos atos de violência dentro do ambiente escolar, sinalizando a seriedade com que o caso foi tratado.

O Papel dos Acusados e o Cenário do Alojamento

Informações levantadas durante a investigação indicam que o trio agia como uma espécie de liderança informal dentro do alojamento da Etec, que possui capacidade para 28 alunos. Pelo menos cinco calouros teriam sido submetidos a essas agressões, sob a expressa orientação de que não comunicassem os fatos aos funcionários da escola. No dia em que a familiar de uma vítima visitou o local, a Polícia Militar foi acionada e conduziu os envolvidos à Delegacia de Iguape. No local, foram apreendidos os celulares dos três indiciados, além de dois alicates e uma faca. Responsáveis pelos alunos também denunciaram a suspeita de drogas escondidas no alojamento, embora essa linha de investigação não tenha sido aprofundada de imediato.

A Resposta da Etec e a Busca por Justiça

Em resposta aos chocantes acontecimentos, a Etec Engenheiro Agrônomo Narciso de Medeiros divulgou uma nota oficial em suas redes sociais, manifestando repúdio aos fatos e declarando que a unidade escolar foi “fortemente atingida pelas notícias”. A instituição informou que um comitê de crise foi imediatamente estabelecido, e a primeira medida adotada foi o afastamento imediato dos três alunos envolvidos. O comunicado, assinado pelo diretor Mauro Sérgio Adinolfi, reiterou o compromisso da escola em acompanhar a apuração dos fatos e analisar todas as questões legais pertinentes. O objetivo é solucionar o caso de forma transparente e restabelecer a ordem no âmbito escolar, garantindo um ambiente seguro para todos os estudantes. As famílias das vítimas, por sua vez, expressaram a expectativa de que a instituição de ensino tome todas as providências cabíveis, reafirmando a confiança depositada na escola.

Perguntas Frequentes (FAQ)

<b>Q1: Quem foram os estudantes detidos e quais as acusações?</b><br>Foram detidos um estudante de 18 anos e dois adolescentes de 15 e 16 anos. Eles são acusados de tortura, constrangimento ilegal e lesão corporal contra calouros em um alojamento da Etec de Iguape.

<b>Q2: Como as agressões foram descobertas pelas autoridades?</b><br>O caso veio à tona após a família de uma das vítimas notar um ferimento provocado por alicate no peito do adolescente. Ao investigar no alojamento, descobriram outras vítimas e evidências de punições e abusos, o que levou à denúncia à Polícia Militar.

<b>Q3: Qual foi a resposta imediata da Etec diante das acusações?</b><br>A Etec Engenheiro Agrônomo Narciso de Medeiros publicou uma nota repudiando os fatos, criou um comitê de crise e afastou imediatamente os três alunos envolvidos. A instituição prometeu acompanhar as investigações para solucionar o caso e restabelecer a ordem no ambiente escolar.

Para mais detalhes sobre a segurança em ambientes educacionais e a prevenção de trotes violentos, continue acompanhando nossas publicações e mantenha-se informado.

Fonte: https://g1.globo.com

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