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Cão morre em hotel de Santos: alerta para hipertermia em pets

G1

A trágica morte de Bucky, um cão da raça Pug, em um hotel para pets na cidade de Santos, litoral de São Paulo, acendeu um sinal de alerta urgente para tutores e estabelecimentos de cuidado animal em todo o país. O incidente, que resultou na morte do animal horas após ser deixado no local, é um lembrete dramático dos perigos da hipertermia, condição caracterizada pelo aumento excessivo da temperatura corporal. Veterinários especialistas alertam que a hipertermia é uma ameaça recorrente, especialmente durante os meses mais quentes, e sublinha a importância de medidas preventivas rigorosas e conhecimento sobre os sinais de alerta. A família de Bucky, abalada pela perda, planeja acionar a Justiça, alegando negligência por parte do estabelecimento que prometeu cuidados adequados ao animal.

A perda de Bucky e o perigo da hipertermia em pets

O caso que chocou a comunidade protetora de animais ocorreu na segunda-feira (12), quando Bucky, o Pug, passou mal nas instalações de um hotel para pets, o Clube Auau. Rapidamente, o animal foi encaminhado em estado crítico para uma clínica veterinária. No local, os profissionais diagnosticaram uma situação compatível com “hipertermia grave por falência do mecanismo de termorregulação”, uma condição que leva à incapacidade do corpo de controlar sua própria temperatura. O desfecho foi fatal, gerando comoção e discussões sobre a responsabilidade no cuidado com animais de estimação.

Diante da perda irreparável, a família de Bucky manifestou a intenção de buscar reparação judicial contra o hotel. O argumento central é a alegação de negligência, uma vez que, segundo os tutores, o estabelecimento havia garantido que Bucky receberia os cuidados necessários para lidar com o calor intenso. Por sua vez, a administração do hotel lamentou profundamente o ocorrido e afirmou ter prestado todos os atendimentos cabíveis ao cachorro durante sua estadia. Este embate legal destaca a complexidade e a seriedade das responsabilidades envolvidas na guarda e cuidado de animais.

Compreendendo a hipertermia e seus riscos

A hipertermia, como explicam os veterinários Artur Teixeira Pereira e Thalita de Noffri, é uma elevação perigosa da temperatura corporal que pode ter consequências severas e até fatais para os animais. “Como médico veterinário, vejo com frequência como o calor pode ser fatal”, lamentou Artur. Qualquer cachorro exposto a temperaturas elevadas pode sofrer de hipertermia, mas algumas raças apresentam maior predisposição devido a características físicas específicas.

Os cães braquicefálicos, que possuem focinho mais curto e achatado, são particularmente vulneráveis. Este grupo inclui raças como Pugs, Shih-tzus, Boxers, Pequinês, Bulldogs e até mesmo Pit bulls. Segundo Artur, essa característica natural dificulta a respiração diária desses animais, e a situação se agrava exponencialmente em momentos de calor intenso. “Eles não conseguem resfriar o corpo tão eficientemente quanto outras raças. O ar quente entra e sai com mais esforço, levando a um superaquecimento rápido, que pode evoluir para hipertermia”, detalhou. Além das raças braquicefálicas, outros fatores de risco incluem obesidade, idade avançada e a presença de doenças cardíacas ou respiratórias pré-existentes. Thalita de Noffri acrescenta uma perspectiva crucial sobre a percepção de calor dos animais: “Costumo dizer que a gente está sempre a 1,65 metros, 1,70 metros do chão. O cachorro e o gato estão a 30 centímetros do chão. Eles sentem calor muito mais do que a gente.” A incapacidade dos animais de suar como os humanos, somada à sua proximidade com o solo, onde o calor é mais intenso, dificulta sua termorregulação natural, tornando-os ainda mais vulneráveis a superaquecimento.

Sinais de alerta e a importância dos primeiros socorros

Para os tutores, é fundamental estar atento aos sinais de superaquecimento em seus animais de estimação, pois a identificação precoce pode ser crucial para salvar uma vida. Entre os sintomas mais comuns e preocupantes de hipertermia, destacam-se: respiração ofegante excessiva e persistente, saliva grossa e abundante, gengivas que adquirem uma coloração vermelha intensa ou azulada, fraqueza generalizada, episódios de vômito e diarreia. Em casos mais severos, o animal pode apresentar convulsões e desmaios, conforme alertou Thalita. Ao notar qualquer um desses sinais, a procura imediata por atendimento veterinário é indispensável e urgente.

Enquanto se encaminha para o veterinário, algumas medidas de primeiros socorros podem ser aplicadas para tentar mitigar os efeitos da hipertermia. A primeira e mais importante ação é mover o animal para um local fresco e bem ventilado, longe da exposição direta ao sol ou a fontes de calor. Para refrescá-lo, os especialistas recomendam o uso de um pano úmido ou água morna aplicada sobre o corpo do pet. É crucial enfatizar que nunca se deve jogar água gelada ou aplicar gelo diretamente no animal, pois isso pode provocar um choque térmico, agravando ainda mais a condição do pet e complicando o quadro clínico. O objetivo é reduzir a temperatura corporal gradualmente e com segurança.

Estratégias de prevenção e cuidados essenciais no calor

A prevenção é a melhor ferramenta contra a hipertermia em pets. Os profissionais da área veterinária oferecem uma série de dicas valiosas para que os tutores possam proteger seus companheiros durante os dias de calor intenso:

Horários de passeio: Opte por passear com seu pet bem cedo pela manhã ou no fim da tarde, quando o sol está baixo e as temperaturas são mais amenas. Evite os horários de pico de calor.
Temperatura do solo: Antes de sair para um passeio, toque o chão com a palma da mão por cinco segundos. Se estiver muito quente para você, estará muito mais quente para as patas do seu pet.
Ambiente fresco: Em dias quentes, certifique-se de que seu cão permaneça em um ambiente coberto, com boa circulação de ar. O uso de ventiladores ou ar-condicionado pode ser muito benéfico.
Hidratação constante: Deixe sempre água fresca e limpa disponível para o seu pet. Adicionar algumas pedras de gelo na água pode ajudar a mantê-la gelada por mais tempo e incentivar o consumo.
Tapetes térmicos: Considere oferecer tapetes térmicos projetados para animais, que ajudam a regular a temperatura corporal e proporcionam um alívio refrescante.
Cuidados com a pelagem: Mantenha a pelagem do seu pet bem cuidada. Embora possa parecer contra-intuitivo, pelos bem cuidados auxiliam na termorregulação do corpo. Nunca tose raças que não devem ser tosadas, pois a pelagem também protege contra o calor.
Evite exercícios intensos: Não incentive exercícios físicos muito longos ou intensos em dias de calor. O esforço excessivo pode levar rapidamente ao superaquecimento.

Consequências legais e um apelo à conscientização

O trágico desfecho da vida de Bucky, o Pug, não apenas ressalta o drama enfrentado pela família, que agora busca justiça contra o pet hotel por suposta negligência, mas também lança luz sobre uma questão de saúde pública animal de extrema importância. A repercussão do caso serve como um lembrete contundente das responsabilidades que tutores e, principalmente, estabelecimentos que oferecem serviços de hospedagem e cuidado animal, precisam assumir. A promessa de cuidados adequados em um ambiente de calor exige mais do que boas intenções; demanda conhecimento, estrutura e vigilância constante.

Este incidente deve ser um catalisador para uma maior conscientização e educação sobre a hipertermia em pets. É imperativo que tanto proprietários quanto profissionais do setor compreendam os riscos, identifiquem os sinais de alerta e saibam como agir rapidamente. A prevenção, por meio de ambientes seguros, hidratação adequada e manejo consciente das atividades físicas em dias quentes, é a chave para evitar que outras histórias tristes como a de Bucky se repitam. A vida de nossos companheiros animais depende da nossa capacidade de prever perigos e agir com responsabilidade e amor.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é hipertermia em pets e por que é perigosa?
A hipertermia é o aumento excessivo da temperatura corporal de um animal, acima dos níveis considerados normais. É perigosa porque pode levar à falência de órgãos, danos cerebrais, problemas cardíacos e, em casos graves, à morte, devido à incapacidade do corpo de se resfriar eficientemente.

Quais raças de cães são mais suscetíveis à hipertermia?
Cães braquicefálicos são mais suscetíveis devido à dificuldade respiratória que impede o resfriamento eficaz. Isso inclui Pugs, Shih-tzus, Bulldogs, Boxers, Pequinês e alguns Pit bulls. Além deles, cães obesos, muito jovens ou idosos, e aqueles com doenças cardíacas ou respiratórias, também correm maior risco.

Quais são os primeiros socorros em caso de suspeita de hipertermia?
Ao suspeitar de hipertermia, mova o pet imediatamente para um local fresco e ventilado. Utilize panos úmidos ou água morna para resfriar o corpo do animal, focando em patas, barriga e pescoço. Ofereça água fresca. Nunca use água gelada ou gelo, pois isso pode causar choque térmico. Procure atendimento veterinário o mais rápido possível.

Como posso evitar que meu pet sofra de hipertermia?
Para evitar a hipertermia, passeie com seu pet nos horários mais frescos do dia (manhã cedo ou fim da tarde), verifique a temperatura do chão, mantenha-o em ambientes frescos e bem ventilados, garanta acesso constante a água fresca , utilize tapetes térmicos e evite exercícios intensos em dias quentes. A atenção à pelagem também é importante, mantendo-a cuidada para auxiliar na termorregulação.

Para garantir a segurança e o bem-estar do seu companheiro, informe-se e adote as medidas preventivas necessárias. A vida do seu pet está em suas mãos.

Fonte: https://g1.globo.com

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