Com o termômetro escalando, a preocupação com o impacto do calor intenso na educação em Santos se intensifica. Após uma sensação térmica de 50°C registrada no início de 2025, o próximo verão na Baixada Santista acende um alerta sobre os desafios que as altas temperaturas impõem ao aprendizado de crianças e adolescentes.
Em outubro de 2025, dez alunos de uma escola estadual precisaram de atendimento médico após sofrerem mal-estar devido ao calor, que atingiu os 42°C, segundo a Defesa Civil. Os estudantes foram socorridos e encaminhados a uma unidade de pronto atendimento, reacendendo o debate sobre a vulnerabilidade dos estudantes em ambientes escolares não preparados para enfrentar o clima cada vez mais extremo. Casos semelhantes já haviam sido reportados anteriormente, sinalizando uma tendência preocupante.
A localização geográfica de Santos, próxima à Serra do Mar, contribui para o acúmulo de umidade e a formação de nuvens que retêm o calor. Somado a isso, o fenômeno da Ilha de Calor Urbana, causado pela concentração de edifícios e ruas asfaltadas, agrava ainda mais a situação, elevando as temperaturas e tornando a cidade um ambiente propício para o desconforto térmico.
Especialistas alertam que, a partir de 38°C, a capacidade de aprendizagem é comprometida. Raciocínio, memorização e compreensão diminuem drasticamente, com riscos de danos irreversíveis em exposições prolongadas a temperaturas acima de 42°C, devido à degradação dos neurotransmissores, essenciais para a comunicação entre os neurônios e, consequentemente, para a formação de novas sinapses.
Um levantamento recente aponta que a maioria das escolas públicas brasileiras não possui ar-condicionado, evidenciando a falta de infraestrutura adequada para garantir um ambiente de aprendizado confortável e seguro. Em outros estados, a situação levou à suspensão temporária das aulas, levantando questionamentos sobre a necessidade de medidas semelhantes em outras regiões.
Para enfrentar essa crise, especialistas propõem um conjunto de ações que incluem investimentos em infraestrutura sustentável, como climatização e ventilação adequadas, a inclusão de educação climática nos currículos escolares, o engajamento da comunidade escolar e a colaboração entre diferentes setores da sociedade.
A administração municipal de Santos se comprometeu a equipar todas as unidades municipais de educação com ar-condicionado até o final de 2025. Enquanto isso, a Defesa Civil recomenda cuidados como manter a hidratação constante, evitar a exposição ao sol nos horários de pico, buscar locais com sombra e ventilação, evitar atividades físicas intensas e optar por uma alimentação leve e rica em água. A urgência em adaptar as escolas à nova realidade climática é fundamental para garantir um futuro educacional saudável e produtivo para as crianças e adolescentes da região.
Fonte: www.juicysantos.com.br