Um episódio de grande repercussão chocou os moradores de Cubatão, no litoral de São Paulo, na noite do último sábado, dia 7. Uma **cadela da raça american bully**, batizada de Atena, foi alvejada por um tiro disparado por um guarda civil municipal (GCM) no bairro Vale Verde. O animal, conhecido por seu porte imponente, mas descrito por sua tutora como dócil e brincalhão, encontra-se estável, porém internado em uma clínica veterinária, aguardando uma intervenção cirúrgica de alta complexidade. O incidente, que envolveu a fuga da cadela de sua residência e um subsequente encontro com um pedestre e o agente público, desencadeou uma série de questionamentos e uma investigação formal para esclarecer as circunstâncias do disparo. A comunidade local expressa revolta diante da situação, demandando transparência e justiça para Atena e sua família.
O incidente e o resgate da cadela Atena
A fuga e o primeiro contato
O lamentável incidente teve início por volta das 18h30 de sábado, quando Lavínia Fernandes, de 19 anos, tutora de Atena, abriu o portão de sua residência para sair com sua motocicleta. Nesse breve momento, a cadela American Bully, aproveitou a oportunidade para escapar. Em seu trajeto pela rua, Atena aproximou-se de um pedestre que portava um guarda-chuva. Segundo o relato de Lavínia, o pedestre, assustado com a presença do animal, utilizou o objeto para tentar afastá-la. A tutora enfatiza que, neste primeiro contato, a cadela não demonstrou agressividade nem realizou qualquer ataque, apenas se aproximou.
O disparo e as consequências imediatas
Minutos após o encontro com o pedestre, Atena continuou seu percurso e cruzou com o guarda civil municipal. Conforme a versão da tutora, sem qualquer interação prévia que justificasse uma agressão, a cadela foi baleada pelo agente. O tiro atingiu Atena na pata dianteira, causando um ferimento grave. Após o disparo, a cadela foi prontamente socorrida e encaminhada a um hospital veterinário. Ela permanece internada em estado estável, mas aguarda uma cirurgia delicada para tratar o projétil e os danos causados. Lavínia Fernandes, inconformada com a situação, registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Sede de Cubatão, buscando apuração dos fatos.
As versões em confronto e a reação da comunidade
A perspectiva da tutora e a índole de Atena
Lavínia Fernandes reitera veementemente que Atena é uma cadela de temperamento extremamente dócil e brincalhão, características que contrastam com o estigma que por vezes acompanha raças de maior porte. A tutora afirma que a cadela não teve qualquer tipo de interação agressiva com o guarda antes de ser alvejada. Segundo ela, Atena não representava uma ameaça, o que torna o disparo injustificável em sua visão. A jovem expressa profundo abalo emocional e indignação com a atitude do guarda, destacando o comportamento pacífico de seu animal de estimação.
A revolta dos moradores e a chegada da GCM
A repercussão do incidente foi imediata e gerou forte revolta entre os moradores do bairro Vale Verde. Após o disparo, a própria Guarda Civil Municipal foi acionada para atender à ocorrência. No momento da chegada dos agentes, uma aglomeração de pessoas já cercava o guarda que efetuou o tiro, questionando sua conduta e a necessidade de usar uma arma de fogo contra o animal. A indignação era palpável, com muitos expressando sua solidariedade à tutora e à cadela. Contudo, quando a GCM chegou, Atena e Lavínia já haviam se deslocado para a clínica veterinária em busca de atendimento emergencial.
A versão do guarda municipal e os desdobramentos da investigação
O relato do agente e a alegação de legítima defesa
Em seu depoimento oficial na delegacia, o guarda civil municipal responsável pelo disparo apresentou uma versão divergente dos fatos. Ele declarou que estava em uma padaria comprando pão quando ouviu gritos de socorro, o que o motivou a sair para verificar a situação. Segundo o agente, ele se deparou com um homem portando um guarda-chuva, que estaria sendo supostamente atacado por dois cães, sendo um deles Atena. Ao tentar intervir para conter a situação e auxiliar o pedestre, o guarda afirmou que um dos cachorros, especificamente Atena, teria avançado em sua direção, aproximando-se de forma ameaçadora. Diante disso, ele alegou ter efetuado o disparo em legítima defesa, buscando afastar a iminente agressão.
Andamento da perícia e a busca pelo pedestre
Como parte dos procedimentos padrão em casos de uso de arma de fogo por agentes de segurança, a arma do guarda municipal foi apreendida e encaminhada para perícia. Este processo é fundamental para verificar a regularidade do equipamento e as circunstâncias do disparo. O caso foi oficialmente registrado na Delegacia Sede de Cubatão como legítima defesa, baseando-se no depoimento inicial do agente. No entanto, um detalhe crucial da investigação é que o homem que supostamente teria sido atacado pelos cães e cuja defesa motivou o disparo, não foi encontrado pelas autoridades até o momento, adicionando uma camada de complexidade e incerteza à apuração dos fatos.
Desdobramentos e reflexões
O incidente envolvendo a cadela Atena e o guarda municipal em Cubatão expõe a complexidade das interações entre animais, cidadãos e agentes de segurança pública. As versões conflitantes — a da tutora, que descreve um animal dócil e um disparo injustificado, e a do guarda, que alega legítima defesa diante de uma suposta ameaça — exigem uma investigação minuciosa e imparcial. A ausência do pedestre supostamente atacado adiciona um elemento crítico à apuração, que deverá considerar todos os ângulos para determinar a verdade dos fatos. O bem-estar de Atena, a credibilidade da instituição e a segurança da comunidade são pontos centrais que o desenrolar deste caso deverá endereçar, aguardando-se os resultados da perícia e as conclusões da Polícia Civil para uma resolução justa e transparente.
Perguntas Frequentes (FAQ)
<b>1. Qual é a raça da cadela envolvida no incidente em Cubatão?</b><br>A cadela envolvida no incidente é da raça American Bully, e seu nome é Atena.
<b>2. Qual a versão apresentada pela tutora da cadela sobre o ocorrido?</b><br>A tutora, Lavínia Fernandes, afirma que Atena escapou de casa, aproximou-se de um pedestre que a afastou com um guarda-chuva, e, sem qualquer interação agressiva com o guarda, foi baleada na pata dianteira. Ela descreve Atena como dócil e brincalhona.
<b>3. Como o guarda municipal justificou o disparo?</b><br>Em depoimento, o guarda alegou legítima defesa. Ele afirmou ter visto um homem sendo supostamente atacado por dois cães, e que Atena teria avançado em sua direção quando ele tentava intervir, o que o levou a efetuar o disparo.
<b>4. Qual o estado de saúde atual da cadela Atena?</b><br>A cadela Atena está em estado estável, mas permanece internada em um hospital veterinário, aguardando cirurgia para tratar o ferimento na pata dianteira.
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Fonte: https://g1.globo.com