O cenário político na Baixada Santista para as eleições presidenciais de 2026 já começa a se desenhar, revelando dados que podem surpreender muitos observadores. Pesquisas recentes indicam uma disputa acirrada e resultados que contradizem percepções comuns sobre o perfil ideológico da região. Enquanto o eleitorado da Baixada Santista se inclina majoritariamente para a direita, a liderança nas intenções de voto para a presidência aponta para uma dinâmica política complexa e multifacetada, onde o peso dos nomes e dos recentes acontecimentos tem um impacto significativo. Este artigo detalha os levantamentos mais recentes, as mudanças em relação ao pleito anterior e os fatores que influenciam as escolhas dos eleitores na região.
Cenário presidencial para 2026 na Baixada Santista
A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro
Um levantamento abrangente, realizado entre 27 de maio e 2 de junho de 2026 com 10.022 eleitores nas nove cidades da Baixada Santista, revelou que o ex-presidente Lula lidera as intenções de voto com 35,5%. Em segundo lugar, aparece Flávio Bolsonaro, com 28,8% da preferência. A margem de erro da pesquisa, devidamente registrada, é de três pontos percentuais. Os demais candidatos somados não conseguem se aproximar dos dois primeiros colocados, solidificando a polarização observada na política nacional.
Este resultado representa uma inversão significativa em comparação com o primeiro turno das eleições de 2022, quando Jair Bolsonaro obteve 48,41% dos votos válidos na Baixada Santista (equivalente a 508.712 votos), enquanto Lula alcançou 40,64% (427.091 votos). Naquele pleito, apenas a cidade de Cubatão pendeu para o lado petista, com 49,03% dos votos. Agora, Lula apresenta uma vantagem de sete pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro na região.
A pesquisa também aferiu a consistência do voto, indicando que 83,2% dos eleitores de Lula consideram sua decisão definitiva, contra 78,4% dos que declaram voto em Flávio Bolsonaro. No entanto, uma parcela considerável do eleitorado ainda está indecisa ou planeja anular o voto: 29,9% dos entrevistados afirmaram que não votarão em ninguém, e 40,8% ainda não decidiram na pesquisa espontânea. Esse grande contingente de indecisos e abstenções representa um bloco maior do que qualquer candidatura isolada na região, indicando que o resultado final dependerá da mobilização e convencimento desses eleitores.
O perfil ideológico da região e suas contradições
Santos como espelho das tensões políticas
Um segundo levantamento, realizado com 9.540 entrevistas presenciais nas nove cidades, traçou o perfil ideológico da Baixada Santista. Os dados mostram que 34% dos eleitores se identificam com a direita, percentual que é mais que o dobro dos 19,4% que se declaram de esquerda. Este perfil conservador da região cria um aparente paradoxo com a liderança de Lula nas intenções de voto para presidente. No entanto, a prática política e os fatores específicos de cada candidatura demonstram que essa convivência é possível.
Santos é um exemplo claro dessa tensão. A cidade apresenta o maior índice de identificação com a direita na Baixada, com 40%. Contraditoriamente, também registra o maior percentual de eleitores que se declaram de esquerda, atingindo 22,8%. Historicamente, em 2022, Santos votou 56% em Jair Bolsonaro no segundo turno. A mudança na preferência do eleitorado pode ser atribuída à diferença entre os nomes na urna: enquanto Jair Bolsonaro possuía uma base consolidada e carismática, Flávio Bolsonaro, como herdeiro político, não herda automaticamente o mesmo engajamento, evidenciando que a sucessão política exige mais do que apenas o sobrenome.
Tarcísio de Freitas mantém força no governo estadual
Desempenho estadual distinto do pleito presidencial
Para o governo do Estado de São Paulo, o cenário na Baixada Santista difere da disputa presidencial. Uma pesquisa estadual, realizada entre 27 de abril e 2 de maio com 10.020 eleitores da região, indica que Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera com 41,4% das intenções de voto. Fernando Haddad aparece em segundo lugar, com 22,7%. Em um cálculo de votos válidos, Tarcísio de Freitas alcançaria 53% da preferência, demonstrando uma base sólida.
Apesar de questões como a privatização da Sabesp e episódios de violência policial terem gerado debate, o governador mantém sua popularidade na região. A rejeição ao Partido dos Trabalhadores (PT) permanece alta: 34,8% dos entrevistados afirmaram que não votam em Haddad de jeito nenhum, enquanto a rejeição a Tarcísio de Freitas é de 20,8%. Esse dado sugere que parte do eleitorado conservador da Baixada Santista consegue separar claramente os dois pleitos, apoiando Tarcísio para o governo estadual, mas ainda não consolidando seu apoio a Flávio Bolsonaro para a presidência.
O impacto do escândalo do 'pangaré preto' na candidatura de Flávio Bolsonaro
Conexões com Banco Master abalam discurso anticorrupção
Em maio de 2026, revelações sobre áudios que indicavam Flávio Bolsonaro solicitando recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master – posteriormente detido pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero –, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, tiveram um impacto significativo em sua campanha. Essa ligação, que visava custear o filme "Dark Horse", criou um fator de desgaste político. A percepção pública das conversas com Daniel Vorcaro passou a ser associada a possíveis proximidades com casos de suspeita financeira, enfraquecendo a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Este episódio minou o discurso "anticorrupção" que tem sido uma bandeira da direita, contaminando a narrativa moral de seus apoiadores. O impacto nas pesquisas nacionais foi imediato. Um levantamento nacional divulgado em 19 de maio de 2026 mostrou uma queda perceptível nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro, que recuou de 39,7% para 34,3% no primeiro turno, uma redução de 5,4 pontos percentuais. Lula, por sua vez, manteve-se estável, passando de 46,6% para 47,0%.
Em um cenário de segundo turno projetado, Lula ampliou sua vantagem em maio, alcançando 48,9%, enquanto Flávio Bolsonaro despencou para 41,8%, colocando Lula 7,1 pontos à frente. Outra pesquisa relevante da época também registrou a queda de Flávio Bolsonaro para 38% nas intenções de voto. No mesmo cenário de segundo turno, Lula atingiu 44%, abrindo uma vantagem de seis pontos. Esses dados demonstram como eventos e revelações podem alterar rapidamente o panorama eleitoral, especialmente quando afetam a credibilidade de um candidato.
Conclusão
A Baixada Santista apresenta um mosaico político complexo e dinâmico para as eleições de 2026. A aparente contradição entre um eleitorado majoritariamente conservador e a liderança de Lula nas intenções de voto presidencial evidencia que a política regional é influenciada por uma série de fatores, incluindo o nome do candidato, o histórico partidário e a repercussão de escândalos. A distinção clara que os eleitores fazem entre os pleitos estadual e federal também é notável, com Tarcísio de Freitas mantendo forte apoio para o governo de São Paulo, enquanto a disputa presidencial permanece mais fluida. O grande número de eleitores indecisos ou que planejam anular o voto será determinante para o resultado final, sinalizando que a campanha terá um papel crucial em persuadir essa parcela do eleitorado.
Perguntas Frequentes (FAQ)
<b>Quem lidera as intenções de voto para presidente em 2026 na Baixada Santista?</b>
De acordo com pesquisas recentes, Lula lidera as intenções de voto para a presidência de 2026 na Baixada Santista, com 35,5%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 28,8%.
<b>Qual o perfil ideológico dos eleitores da Baixada Santista?</b>
A Baixada Santista possui um perfil majoritariamente conservador, com 34% dos eleitores se identificando com a direita, contra 19,4% que se declaram de esquerda.
<b>Como o escândalo do Banco Master afetou a candidatura de Flávio Bolsonaro?</b>
As revelações sobre a conexão de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master para financiamento de um filme geraram desgaste político, abalando seu discurso anticorrupção e resultando em queda nas intenções de voto em pesquisas nacionais.
<b>Tarcísio de Freitas mantém sua popularidade para o governo de São Paulo na região?</b>
Sim, Tarcísio de Freitas mantém uma sólida liderança nas intenções de voto para o governo estadual na Baixada Santista, com 41,4%, apesar de polêmicas recentes, demonstrando que os eleitores separam os pleitos estadual e federal.
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