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Absolvido de mega-assalto, homem vira influenciador e denuncia preconceito

G1

Após ser absolvido da acusação de envolvimento na construção de um túnel que visava o cofre principal do Banco do Brasil, um homem identificado como Daniel Ferraz tem buscado reconstruir sua vida como influenciador digital. A decisão judicial o livrou da acusação de participar da elaboração de um túnel que, segundo as autoridades, tinha como objetivo furtar R$ 1 bilhão.

O caso ganhou notoriedade em outubro de 2017, quando a polícia descobriu o túnel que supostamente seria utilizado para acessar o banco localizado na Zona Sul. O responsável pelas investigações à época declarou que o crime, se concretizado, seria o “maior assalto do mundo”.

Apesar da absolvição, Ferraz relata dificuldades em retomar a normalidade. Ele afirma ter investido em educação, inclusive com estudos no exterior, mas enfrenta barreiras na busca por um emprego fixo. “Quando as pessoas veem os meus antecedentes criminais, já me excluem”, lamenta o morador do Guarujá.

Em 2020, Ferraz chegou a ser preso em flagrante, permanecendo quase dois meses detido sob acusações de porte ilegal de arma e roubo a residência. Contudo, foi absolvido também dessas acusações por falta de provas. “Mesmo negando o conhecimento dessa arma, o delegado me encaminhou ao presídio. Lá, fiquei doente e pedia para Deus, que se fosse para ser preso por um crime que não cometi, para ele me recolher e me levar com ele”, relata.

A defesa de Ferraz, conduzida pelo advogado Marcos Jesuino Junior, questionou as provas que ligavam o influenciador ao caso do túnel. A acusação se baseava em uma luva apreendida em outro processo, que foi utilizada para realizar um teste genético com uma escova de dentes encontrada no túnel. O laudo apontou uma alta probabilidade de compatibilidade, mas o juiz Guilherme Eduardo Martins Kellner considerou a prova inconclusiva.

Atualmente, Ferraz conta com uma expressiva base de seguidores nas redes sociais, onde compartilha sua paixão por motocicletas, carros e veículos marítimos. Apesar do sucesso online, ele enfrenta o preconceito no mundo real. “Na rua, não consegui emprego e sou discriminado até hoje. Quando sou abordado pela polícia, pensam que eu sou um criminoso”, afirma.

A decisão judicial que absolveu Daniel Ferraz considerou que o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) fundamentou a acusação apenas na coincidência genética, sem apresentar outras evidências consistentes. Diante da falta de provas robustas, o juiz julgou improcedente o pedido de condenação.

Fonte: g1.globo.com

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