Um vereador atuante em Praia Grande, no litoral paulista, está sob investigação por graves alegações de exploração sexual, envolvendo dois adolescentes, com idades de 15 e 16 anos. Diego Gomes Vieira, membro do PRD, é acusado de oferecer vantagens financeiras e presentes em troca de favores sexuais. A situação ganha contornos de chocante contradição, visto que Vieira é o proponente e autor da Lei Municipal Felca, uma legislação municipal cujo principal objetivo é instituir ações de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) confirmou que as investigações focam na exploração sexual praticada por meio de plataformas de redes sociais. Diante da repercussão, a defesa do parlamentar pronunciou-se, negando as acusações e afirmando que tomará as medidas legais cabíveis para o total esclarecimento dos fatos.
A investigação e as denúncias detalhadas
A investigação teve início após a mãe de um adolescente de 16 anos procurar a Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande na última segunda-feira, relatando preocupações com seu filho. A mulher informou às autoridades que o adolescente vinha sendo supostamente assediado pelo vereador, de 31 anos, por aproximadamente duas semanas. As comunicações, conforme o relato, ocorriam por meio de mensagens diretas no Instagram, utilizando modalidades que garantem a privacidade das interações, como visualizações únicas e temporárias, que desaparecem automaticamente após serem lidas, dificultando o registro imediato e o rastreamento posterior.
Os relatos dos adolescentes
Para subsidiar a investigação, o aparelho celular do adolescente foi apreendido e encaminhado para perícia técnica, na tentativa de recuperar e analisar as supostas mensagens trocadas com o vereador. Capturas de tela, que teriam sido preservadas antes de desaparecerem, indicam que o perfil de Diego Vieira estaria oferecendo dinheiro em troca de sexo oral. Posteriormente, um segundo adolescente, de 15 anos, amigo da primeira vítima, também se identificou com os relatos, procurando a assistência legal. Neste caso, a advogada dos menores, Mayra Solani, detalhou que o vereador teria ido além, enviando uma fotografia de seu órgão genital e incentivando o jovem a fazer o mesmo, configurando um aliciamento ainda mais explícito e direto.
A advogada Mayra Solani tem desempenhado um papel crucial, auxiliando os responsáveis pelos adolescentes a registrar formalmente os casos junto à Polícia Civil e, adicionalmente, apresentando uma denúncia contra o vereador junto ao Ministério Público. Além das ações imediatas, Solani está ativamente em busca de outros adolescentes que possam ter tido interações semelhantes com Diego Vieira. Ela fez um apelo público, incentivando pais e responsáveis a monitorar de perto as atividades de seus filhos nas mídias sociais, especialmente aqueles que possam ter alguma proximidade ou contato anterior com o parlamentar, visando identificar e trazer à tona possíveis outras vítimas, reforçando a rede de proteção.
Lei Municipal Felca: propósito e origem
A Lei Municipal 2.282/2025, de autoria de Diego Gomes Vieira, foi aprovada e sancionada pela prefeitura de Praia Grande, entrando em vigor em outubro de 2025. Conforme o Diário Oficial do município, a legislação estabeleceu a campanha "Maio Laranja" com uma série de objetivos estratégicos. Entre eles, destacam-se a sensibilização da sociedade para a gravidade e as consequências da violência sexual contra crianças e adolescentes, buscando ampliar a conscientização sobre o tema. Outro ponto é o incentivo à denúncia e ao combate eficaz aos casos de abuso e exploração sexual, com foco especial na exploração infantil na internet, um fenômeno crescente.
O youtuber Felca e a inspiração da lei
A lei também visa fortalecer a rede de proteção e atendimento às vítimas e suas famílias, com ênfase no apoio psicológico para aqueles afetados por abusos digitais, reconhecendo os traumas específicos gerados por essa modalidade de crime. Um pilar fundamental da iniciativa é educar e orientar crianças, adolescentes e seus pais sobre os perigos da exploração sexual no ambiente online, abordando temas críticos como pornografia infantil, "grooming" (ou aliciamento virtual) e os meios de prevenção disponíveis para proteger os jovens. O nome da lei, "Felca", é uma homenagem a Felipe Bressanim Pereira, um youtuber e humorista de 27 anos que ganhou notoriedade por sua atuação em causas sociais. Felca destacou-se publicamente após denunciar outro influenciador digital por suspeita de exploração de menores, o que gerou grande repercussão e serviu de inspiração para a criação da legislação municipal, tornando a ironia do atual cenário ainda mais acentuada.
O posicionamento da defesa do parlamentar
Em nota oficial, o advogado Marco Antonio da Silva, responsável pela defesa do vereador Diego Gomes Vieira, manifestou-se sobre as acusações que pesam contra seu cliente. A defesa esclareceu que, até o momento da divulgação das primeiras informações, não teve acesso formal ao teor completo das informações veiculadas pela imprensa, tampouco houve notificação oficial do parlamentar sobre os detalhes específicos da investigação policial ou ministerial, o que impede uma manifestação mais detalhada sobre as evidências.
O comunicado enfatiza que o vereador Diego Vieira nega categoricamente todas e quaisquer acusações que lhe foram imputadas, classificando-as como inverídicas. A defesa informou que serão adotadas todas as medidas legais cabíveis e necessárias para o devido esclarecimento dos fatos perante a justiça e, igualmente, para a preservação da honra e da imagem pública do vereador, que consideram estar sendo indevidamente atingida. Adicionalmente, a nota menciona a possibilidade de "denunciação caluniosa" em relação às alegações, indicando que a equipe jurídica aguarda ter acesso integral ao conteúdo das acusações para se manifestar de forma mais detalhada e oportuna sobre o caso, prometendo total colaboração com as autoridades. As tentativas de contato com a Prefeitura de Praia Grande, a Câmara Municipal e o Ministério Público de São Paulo para obter posicionamentos adicionais sobre o caso não obtiveram retorno até o momento da publicação desta reportagem.
Desdobramentos e perspectivas futuras
O caso envolvendo o vereador de Praia Grande, Diego Gomes Vieira, lança uma sombra complexa sobre a atuação política e a efetividade das leis de proteção a menores. A dualidade entre ser o autor de uma legislação de combate à exploração sexual e ser investigado pelas mesmas práticas cria um cenário de profunda preocupação e perplexidade na sociedade. Enquanto as investigações prosseguem com a análise de evidências digitais, como o celular apreendido, e a busca por possíveis outras vítimas, a defesa do parlamentar mantém sua postura de negação e aguarda acesso aos autos para uma manifestação mais detalhada e baseada em fatos. A sociedade civil e as autoridades aguardam ansiosamente os próximos desdobramentos para que a verdade seja estabelecida e a justiça, se for o caso, prevaleça, reforçando a importância da vigilância e do amparo integral às vítimas vulneráveis neste contexto delicado.
Perguntas frequentes sobre o caso
Quem é o vereador investigado neste caso?
O vereador investigado é Diego Gomes Vieira, membro do PRD e atuante em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Ele é reconhecido também como o autor da Lei Municipal Felca, uma legislação voltada para a proteção de crianças e adolescentes contra a violência sexual.
O que é a Lei Municipal Felca e qual sua importância?
A Lei Municipal Felca (Lei 2.282/2025) é uma legislação de Praia Grande que instituiu a campanha "Maio Laranja". Seu principal objetivo é promover ações de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes, incentivando a denúncia, fortalecendo a rede de proteção e educando sobre os riscos da exploração, especialmente na internet. A lei foi inspirada na atuação do youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, que denunciou casos de exploração de menores.
Qual a posição da defesa do vereador diante das acusações?
A defesa de Diego Gomes Vieira, representada pelo advogado Marco Antonio da Silva, nega veementemente as acusações de exploração sexual. A defesa alega não ter tido acesso formal ao teor completo das informações da investigação e promete adotar todas as medidas legais cabíveis para o esclarecimento dos fatos e a preservação da honra e imagem do parlamentar, mencionando a possibilidade de "denunciação caluniosa" e aguardando acesso aos autos para uma manifestação mais detalhada.
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Fonte: https://g1.globo.com