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Escolas de samba de Santos encantam com diversidade e fortes mensagens

G1

O segundo dia de desfiles das escolas de samba em Santos, na passarela Dráuzio da Cruz, no litoral de São Paulo, transformou a noite de sábado (7) em um espetáculo de emoção e representatividade. Oito agremiações – quatro do Grupo de Acesso e quatro do Grupo Especial – apresentaram-se sob um cenário desafiador, com a chuva marcando o início das festividades e formando poças d'água na avenida. Apesar das adversidades climáticas, as escolas levaram ao público uma rica tapeçaria de temas que abordaram desde a cultura nordestina e a luta antirracista até a defesa de povos indígenas e a preservação ambiental, culminando em celebrações vibrantes da identidade cultural brasileira e santista.

Desfiles do Grupo de Acesso: Emoção sob Chuva

Imperatriz Alvinegra: Nordeste vibrante em São Vicente

A Imperatriz Alvinegra, de São Vicente, teve a honra de abrir a noite, desfilando sob forte chuva às 20h. Com o enredo “No puro sangue do maior São João, a Imperatriz vem balançar o sertão”, a agremiação trouxe à avenida a exuberância da cultura nordestina. Cerca de 700 componentes, distribuídos em 10 alas, e três carros alegóricos, exaltaram as festas juninas, as tradições populares e a religiosidade. Personagens icônicos como Lampião e Maria Bonita ganharam vida, e a primeira porta-bandeira, Marcinha Imperatriz, destacou a relevância da homenagem às raízes nordestinas de São Vicente, ressaltando o reconhecimento às quadrilhas da cidade. Sua fantasia, que representava um ostensório católico, foi um dos pontos altos da apresentação, que durou 44 minutos.

Dragões do Castelo: Proteção e simbolismo contra o mau-olhado

Logo em seguida, a Dragões do Castelo entrou na passarela, e coincidentemente, a chuva começou a diminuir. Seu enredo, “Não adianta mandinga, muito menos olho gordo… Dragões do Castelo, olha nós aí de novo!”, mergulhou no universo das Mandingas e Patuás Populares, buscando afastar a inveja e as energias negativas. Com 800 componentes em 10 alas e duas alegorias, o desfile foi um verdadeiro espetáculo de simbolismo espiritual e busca por proteção. O brilho excessivo das alegorias, nas cores vermelha e amarela, e as alas de olhos gregos foram destaques visuais. A primeira porta-bandeira, Nataly Wonsuite, demonstrou profunda emoção ao final da apresentação, celebrando a realização de um trabalho de um ano inteiro para a escola que representa a história de sua família. O desfile foi concluído em 45 minutos.

Unidos da Zona Noroeste: Voz à luta antirracista

A terceira escola do Grupo de Acesso, Unidos da Zona Noroeste, trouxe um tema de profundo impacto social e histórico: “Falsa Abolição – Somos os netos dos negros que vocês não conseguiram matar”. Com 750 componentes em 14 alas e dois carros alegóricos, a agremiação ressaltou a luta do povo negro contra a escravidão e as batalhas diárias enfrentadas pela população. O carro abre-alas, com sua fumaça e grandes livros contendo palavras de significado histórico, foi um dos pontos altos. A ala mirim, composta por três mestres-sala e três porta-bandeiras, arrancou aplausos e emoção do público. Lara Victoria Garcia Carvalho de Brito, de 11 anos, porta-bandeira mirim, descreveu a experiência como inesquecível e carregada de homenagens, reforçando o esforço coletivo para a realização do desfile em 43 minutos.

Sangue Jovem: Homenagem ao futebol santista

Encerrando as apresentações do Grupo de Acesso, a Sangue Jovem entrou na avenida com um enredo que celebrou uma das maiores paixões da cidade: o Santos Futebol Clube. Com o tema “Santos: A lenda alvinegra, dos pés na areia à glória eterna”, a escola homenageou os tempos áureos do clube, seus grandes ídolos e as conquistas que marcaram gerações. Alegorias grandiosas representaram o estádio da Vila Belmiro, o mar de Santos e momentos históricos, como os gols de Pelé e Neymar. Cerca de 900 componentes, muitos deles trajados com as cores do Peixe, vibraram ao som de sambas-enredo que exaltavam a paixão pelo futebol. A escola demonstrou a força da torcida e a rica história esportiva de Santos, finalizando seu desfile com grande entusiasmo e aplausos. A comunidade sangrejovem celebrou com fervor sua identidade ligada ao time.

O Grupo Especial ilumina a passarela

Padre Paulo: A força da comunidade periférica

Abrindo os desfiles do Grupo Especial, a Padre Paulo emocionou a passarela com um enredo focado na valorização das comunidades periféricas de Santos. Com o tema “Periferia em festa: a voz que ecoa e transforma”, a escola trouxe à tona a riqueza cultural, a resiliência e a efervescência artística desses bairros. Carros alegóricos retrataram o dia a dia das favelas, com suas cores vibrantes, a arte do grafite e as manifestações culturais que nascem nas vielas. Cerca de 1.000 integrantes, muitos deles moradores das próprias comunidades homenageadas, desfilaram com orgulho, cantando a plenos pulmões o samba-enredo que enaltecia a força e a união da periferia. A apresentação foi um tributo à capacidade de superação e à identidade cultural que floresce nos morros e bairros afastados do centro, mostrando que a verdadeira riqueza de Santos reside também em suas comunidades.

Amazonense: Em defesa dos povos originários e da floresta

A Amazonense, fiel ao seu nome, apresentou um enredo impactante sobre os povos indígenas e a preservação da Amazônia. Com o título “Gritos da floresta: o clamor dos guardiões da Terra”, a escola transformou a avenida em um verdadeiro santuário de cores e simbolismos da cultura ancestral brasileira. Alegorias grandiosas simularam a exuberância da floresta amazônica, com fauna e flora ricas, e representaram rituais e costumes de diversas etnias indígenas. Os 1.200 componentes, vestidos com fantasias que remetiam à natureza e aos adornos dos povos originários, trouxeram uma mensagem urgente sobre a importância da conservação ambiental e o respeito às tradições milenares. A escola fez um apelo pela conscientização e pela defesa dos territórios indígenas, destacando o papel fundamental desses povos na manutenção do equilíbrio ecológico global, em uma apresentação que foi um alerta e uma homenagem.

X-9: Um clamor pela preservação dos oceanos

Em seguida, a X-9 trouxe para a passarela do samba um tema de extrema relevância para a cidade costeira de Santos: a preservação dos oceanos. Com o enredo “Mar de vida, grito de alerta: o futuro azul em nossas mãos”, a agremiação abordou a beleza dos ecossistemas marinhos e os perigos da poluição e da exploração desmedida. Carros alegóricos se transformaram em recifes de corais, com criaturas marinhas e a vastidão azul do oceano. As fantasias dos 1.100 componentes, em tons de azul, verde e branco, representavam a diversidade da vida aquática e a fragilidade do meio ambiente. A escola fez uma forte crítica à degradação dos mares e um convite à reflexão sobre a responsabilidade humana, incentivando a proteção desse patrimônio natural. A mensagem da X-9 ressoou profundamente no público, que aplaudiu a iniciativa ambiental.

Unidos dos Morros: A culturalidade do jogo do bicho

Para encerrar a segunda noite de desfiles, a Unidos dos Morros trouxe um enredo polêmico e culturalmente rico: “Jogo do bicho: a sorte que move o povo e a tradição brasileira”. A escola explorou a história, os personagens e a simbologia por trás do jogo do bicho, um fenômeno popular enraizado na cultura brasileira. O desfile foi uma viagem lúdica pelos números, os animais e a mística que envolve essa prática, abordando-a sob uma perspectiva histórica e social, sem fazer apologia, mas sim retratando sua presença no imaginário popular. Com 1.300 componentes e alegorias criativas que representavam os diferentes bichos e a sorte, a Unidos dos Morros apresentou um espetáculo vibrante, repleto de cores e de ritmos que contagiaram a avenida, culminando a noite com uma exploração única de um aspecto muitas vezes marginalizado, mas inegavelmente presente na cultura do país.

Legado e expectativas para o Carnaval de Santos

O segundo dia de desfiles em Santos demonstrou a força e a diversidade do Carnaval da cidade, superando até mesmo as condições climáticas adversas. As escolas de samba, tanto do Grupo de Acesso quanto do Grupo Especial, apresentaram enredos que provocaram reflexão, emocionaram e celebraram a rica tapeçaria cultural do Brasil. Com mensagens que variaram da homenagem a raízes nordestinas e à luta por igualdade racial, até a defesa do meio ambiente e a exploração de aspectos populares da cultura, o evento reafirmou o papel do samba como plataforma de expressão artística e social. A expectativa agora se volta para a apuração dos resultados e para os próximos anos, nos quais o Carnaval de Santos promete continuar crescendo em grandiosidade e relevância cultural no cenário nacional, consolidando-se como um marco anual de celebração e conscientização.

Perguntas frequentes (FAQ)

<b>Qual foi o impacto da chuva nos desfiles?</b> O início dos desfiles do Grupo de Acesso foi marcado por forte chuva, o que causou poças d'água na passarela. Contudo, as escolas conseguiram se apresentar, e a chuva cessou durante o desfile da Dragões do Castelo, permitindo que as demais agremiações se apresentassem em condições melhores.

<b>Quais temas foram abordados pelas escolas do Grupo de Acesso?</b> As escolas do Grupo de Acesso abordaram temas variados, incluindo a cultura nordestina e a festa de São João (Imperatriz Alvinegra), mandingas e patuás populares (Dragões do Castelo), a luta do povo negro contra a escravidão (Unidos da Zona Noroeste) e a história do Santos Futebol Clube (Sangue Jovem).

<b>Quais foram os destaques temáticos do Grupo Especial?</b> O Grupo Especial trouxe enredos de grande relevância, como a valorização das comunidades periféricas (Padre Paulo), a defesa dos povos indígenas e da Amazônia (Amazonense), a preservação dos oceanos (X-9) e a exploração cultural do jogo do bicho (Unidos dos Morros).

Para mais detalhes sobre as escolas de samba, a apuração dos resultados e a programação completa do Carnaval de Santos, continue acompanhando nosso portal de notícias e mergulhe no universo vibrante dessa festa popular!

Fonte: https://g1.globo.com

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