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Paradesporto brasileiro celebra ano histórico com desafios e medalhas mundiais

© Cris Mattos/CPB/Direitos Reservados

O ano que marcou o início do ciclo paralímpico para os Jogos de Los Angeles 2028 foi memorável para o esporte brasileiro, caracterizado por um misto de glória e desafios. Atletas e equipes alcançaram desempenhos sem precedentes em campeonatos mundiais, colocando o Brasil no topo do quadro de medalhas em modalidades cruciais como atletismo e judô. Essa trajetória de sucesso, no entanto, não esteve isenta de tensões nos bastidores, especialmente em relação ao tênis de mesa, onde atletas e a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) protagonizaram um embate público sobre exigências polêmicas ligadas ao programa Bolsa Atleta. Apesar das adversidades, o começo de 2025 já aponta para um ano promissor, com o paradesporto nacional solidificando sua posição de potência global e reafirmando o talento e a resiliência de seus representantes.

Desempenho histórico nos campeonatos mundiais

O Brasil consolidou sua posição como uma das principais forças do paradesporto mundial, acumulando resultados expressivos em diversas modalidades ao longo do ano. A dedicação e o talento dos atletas foram traduzidos em medalhas e recordes, projetando o país para o ciclo paralímpico de Los Angeles 2028 com grande otimismo.

Domínio no atletismo e judô

Um dos maiores feitos veio do Mundial de Atletismo Paralímpico, realizado em Nova Déli, na Índia, onde a seleção brasileira fez história ao terminar no topo do quadro de medalhas. Com um total de 15 ouros, 20 pratas e 9 bronzes, o Brasil superou potências tradicionais como a China, que pela segunda vez na história não ocupou a primeira posição na competição. A estrela incontestável desse feito foi a acreana Jerusa Geber, que conquistou dois ouros e se tornou tetracampeã dos 100 metros rasos na classe T11 (cego total). Geber superou a marca de 12 medalhas da lendária Terezinha Guilhermina, atingindo 13 pódios em Mundiais, com sete ouros, cinco pratas e um bronze.

No Mundial de Judô, sediado em Astana, Cazaquistão, o Brasil também alcançou um resultado inédito, liderando o quadro de medalhas com 13 pódios, sendo cinco de ouro. Entre os destaques, a paulista Alana Maldonado conquistou o tricampeonato na categoria até 70 quilos da classe J2 (baixa visão), e o paraibano Wilians Araújo se tornou bicampeão na categoria acima de 95 quilos da classe J1 (cego total). O evento também presenciou uma final 100% brasileira entre judocas acima de 70 quilos da classe J2, com a vitória de Rebeca Silva sobre a também paulista Meg Emmerich. Os ouros inéditos da carioca Brenda Freitas (até 70kg, classe J1) e da potiguar Rosi Andrade (até 52kg, classe J1) selaram a campanha histórica.

Brilho em outras modalidades

O esporte paralímpico brasileiro demonstrou sua versatilidade com performances notáveis em outras modalidades. Em fevereiro, o rondoniense Cristian Ribera conquistou o título mundial de esqui cross country em Trondheim, Noruega, na prova de sprint (um quilômetro). Ribera é uma das grandes esperanças de medalha para o Brasil nas Paralimpíadas de Inverno de Milão e Cortina, em março de 2026.

No tênis em cadeira de rodas, a seleção brasileira da classe quad (atletas com limitações em ao menos três membros) alcançou um feito inédito na Copa do Mundo em Antalya, Turquia, ao chegar à final e conquistar a prata, sendo superada apenas pela Holanda. Na categoria júnior, o Brasil ficou em quarto lugar, com participações decisivas dos mineiros Vitória Miranda e Luiz Calixto. Ambos brilharam em Grand Slams: Vitória foi campeã de simples e duplas femininas no Aberto da Austrália e em Roland Garros, enquanto Luiz venceu o torneio de duplas masculinas na Austrália.

A canoagem trouxe um ouro para o Brasil no Mundial de Milão, com o sul-mato-grossense Fernando Rufino vencendo os 200 metros da classe VL2, repetindo a dobradinha com o paranaense Igor Tofalini, que ficou com a prata. No ciclismo de estrada, na Bélgica, Lauro Chaman assegurou o tricampeonato na prova de resistência da classe C5. Já no ciclismo de pista, no Rio de Janeiro, a equipe brasileira obteve nove medalhas, incluindo um ouro com recorde da paulista Sabrina Custódia no contrarrelógio (1 km) da classe C2.

A natação paralímpica, em seu Mundial em Singapura, viu o Brasil terminar em sexto lugar, com 13 medalhas de ouro e um total de 39 pódios. O mineiro Gabriel Araújo (classe S2) e a pernambucana Carol Santiago (classe S12) foram as estrelas, cada um conquistando três ouros.

No Mundial de Halterofilismo, a seleção feminina garantiu a medalha de ouro por equipes, com a carioca Tayana Medeiros, a mineira Lara Lima e a paulista Mariana d’Andrea. As atletas também conquistaram pódios individuais, com Mariana e Tayana levando a prata em suas categorias e Lara o bronze.

Tensões e superação: o caso do tênis de mesa

Apesar do ciclo vitorioso, o ano foi marcado por um embate significativo nos bastidores do tênis de mesa paralímpico, expondo fissuras entre atletas e a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM).

O embate sobre o bolsa atleta

Em julho, um grupo de nove atletas, que juntos somam 16 medalhas paralímpicas, formalizou uma insatisfação junto ao Ministério do Esporte. O cerne da polêmica residia nas exigências da CBTM para a aprovação dos planos esportivos, requisito essencial para que os atletas recebam o benefício do Bolsa Atleta, uma das principais formas de apoio financeiro do Governo Federal. A confederação exigia que os mesatenistas investissem um percentual (que variava de 30% a 60%) do valor do Bolsa-Pódio – a categoria mais alta do programa – para custear suas participações em campeonatos internacionais. Além disso, os planos deveriam contemplar a participação em pelo menos dez eventos fora do país.

No ofício enviado ao Ministério, os atletas pediram intervenção na confederação, o reconhecimento da excelência por resultados e não pela quantidade de eventos disputados, e a elaboração de um planejamento com “critérios técnicos objetivos”. O Ministério do Esporte, em resposta, declarou que as exigências da CBTM “não há previsão, no normativo vigente do Programa Bolsa Atleta”. Diante da repercussão e da posição do Ministério, a CBTM revogou a medida. No entanto, o episódio deixou um racha notável entre a entidade e parte de seus atletas mais experientes, ressaltando a importância de clareza e transparência na gestão esportiva.

Perspectivas e o ciclo de Los Angeles 2028

O cenário do esporte paralímpico brasileiro ao final do ano é de otimismo cauteloso. As conquistas históricas em campeonatos mundiais reforçam o potencial do país para os Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028. Atletas como Cristian Ribera, Jerusa Geber, Alana Maldonado, Wilians Araújo, Gabriel Araújo e Carol Santiago representam a vanguarda de uma geração talentosa e determinada, capaz de superar recordes e desafios.

Apesar das tensões administrativas, especialmente no tênis de mesa, a resposta do Ministério do Esporte e a revogação de medidas controversas pela confederação indicam um caminho para a resolução e o aprimoramento das relações. O desafio agora é manter o foco na preparação, assegurar o suporte adequado aos atletas e garantir que o planejamento para os próximos ciclos paralímpicos seja pautado pela meritocracia e pelo bem-estar dos esportistas, elementos fundamentais para que o Brasil continue a brilhar no cenário internacional. O ano de 2025 se inicia com a promessa de novas conquistas e a esperança de um esporte cada vez mais forte e unido.

Perguntas frequentes

Qual foi o principal marco do esporte paralímpico brasileiro no último ano?
O principal marco foi o desempenho histórico em campeonatos mundiais, onde o Brasil alcançou o primeiro lugar no quadro de medalhas de Atletismo Paralímpico e Judô Paralímpico, superando potências globais e estabelecendo novos recordes.

Quais atletas se destacaram individualmente em competições mundiais?
Diversos atletas brilharam, incluindo Jerusa Geber (Atletismo), que conquistou dois ouros e se tornou tetracampeã mundial, Alana Maldonado (Judô), tricampeã, Wilians Araújo (Judô), bicampeão, Cristian Ribera (Esqui Cross Country), campeão mundial, e Gabriel Araújo e Carol Santiago (Natação), com três ouros cada.

Houve algum desafio significativo para os atletas paralímpicos em 2024?
Sim, houve um embate notável entre atletas de tênis de mesa e a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) devido a exigências polêmicas relacionadas ao Bolsa Atleta, incluindo a solicitação de que atletas investissem parte do benefício em suas participações internacionais.

Como o Brasil se posiciona para os próximos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028?
Com os resultados expressivos obtidos em diversas modalidades, o Brasil se posiciona com grande otimismo para o ciclo de Los Angeles 2028. Os desempenhos históricos e o surgimento de novos talentos indicam um potencial contínuo para o sucesso no cenário paralímpico global, apesar dos desafios administrativos que necessitam de atenção e resolução.

Para acompanhar de perto os próximos capítulos dessa jornada e celebrar as conquistas do paradesporto brasileiro, fique atento às notícias e eventos futuros que prometem ainda mais emoções e superações.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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