O Santos deposita suas esperanças em Neymar para evitar o rebaixamento, mas o jogador parece precisar de uma mudança de perspectiva para corresponder às expectativas e contribuir efetivamente para a equipe. A atuação do camisa 10 no Maracanã, contra o Flamengo, levantou questionamentos sobre sua postura dentro e fora de campo.
É imperativo que Neymar abandone a mentalidade individualista e abrace o espírito coletivo. Ele não é mais o jovem de 2011 capaz de decidir partidas sozinho com dribles e jogadas espetaculares. Sua força física não permite mais atuações sequenciais daquela forma, e ele precisa reconhecer essa realidade. A declaração no intervalo do jogo contra o Flamengo, “O Santos só vai fazer gol se a bola chegar em mim”, soa como um sintoma dessa desconexão com o time, ainda mais considerando que o Santos marcou dois gols após sua saída.
Apesar das limitações físicas, o Neymar de 2025 ainda possui qualidades valiosas para o Santos. Sua habilidade técnica, mesmo que em declínio, ainda o destaca em relação aos companheiros. Ele atrai a marcação adversária, oferece passes decisivos e possui qualidade na bola parada. No entanto, ele precisa aprender a usar essas qualidades de forma estratégica. Tentar dez arrancadas por jogo, buscando um gol antológico, não é mais realista. É preciso dosar os esforços e concentrar-se em jogadas mais eficientes.
Desperdício de energia, como correr do meio-campo para dar o primeiro passe no tiro de meta, seguido por um chutão, deve ser evitado. Em vez disso, ele pode se posicionar próximo à área e criar assistências, como já demonstrou em jogos anteriores.
Além do desempenho técnico, Neymar precisa assumir o papel de líder que a braçadeira de capitão exige. Criticar os erros dos companheiros, reclamar com a comissão técnica e demonstrar insatisfação no banco de reservas são atitudes de um garoto mimado, comportamento que ele afirma ter superado.
O Santos, em 2025, enfrenta uma crise de confiança, agravada pela falta de qualidade técnica. É crucial que o líder da equipe inspire seus companheiros, ofereça palavras de incentivo e se sacrifique pelo bem do coletivo. A frustração com as dificuldades deve ser canalizada pelos torcedores, não pelo capitão.
Neymar precisa entender que essa postura de liderança pode ser fundamental para seu retorno à Seleção Brasileira. A participação na Copa do Mundo de 2026 pode depender mais de sua capacidade de liderar do que de seu talento individual.
O retorno ao Santos, que deveria consolidá-lo como uma lenda do futebol, corre o risco de terminar em rebaixamento para a Série B e com a torcida dividida em relação a ele.
Neymar tem seis jogos para mudar o rumo dessa história. Se ele priorizar o “Nós”, poderá reconquistar o “Eu”.
Fonte: www.diariodopeixe.com.br